Por Jairton Medeiros
A análise detalhada de dados oficiais da Prefeitura de Ouro Branco revela um padrão que levanta questionamentos sobre o uso da máquina pública: a concentração de recursos e cargos em um núcleo familiar diretamente ligado ao prefeito interino, Amariudo Santos.
Levantamento baseado no Portal da Transparência aponta que, entre os anos de 2021 e 2026, pelo menos R$ 1.873.000 foram destinados a parentes próximos do gestor. Os valores incluem salários, gratificações, contratos e repasses vinculados à administração municipal.
A chegada de Amariudo ao comando do município, com apoio do grupo governista liderado por Samuel Souto, ampliou a presença de familiares dentro da estrutura pública e em funções que vão de cargos operacionais a posições estratégicas.
Folha de pagamento revela vínculos familiares
Dados atuais da folha salarial mostram que diversos parentes do prefeito interino ocupam cargos remunerados na gestão:
O próprio prefeito recebe R$ 21.748,82 mensais;
A sobrinha Kyara, assistente social, recebe R$ 2.985,12;
A sobrinha Hellen Angeline dos Santos Silva, na área da educação, recebe R$ 2.451,60;
O cunhado Edjailson Medeiros Pereira, motorista, recebe R$ 5.104,93;
O sobrinho Guilherme Ricardo dos Santos Lucena, servente, recebe R$ 1.783,10;
O genro Lenilson Silva de Azevedo recebe R$ 1.650,00.
Entre os casos, chama atenção o salário do motorista, acima do padrão normalmente observado em municípios de pequeno porte, indicando possível acréscimo de gratificações ou funções adicionais.
Distribuição de recursos vai além da folha
O levantamento também identificou valores acumulados por meio de contratos, gratificações e manutenção em cargos ao longo dos últimos anos:
R$ 407 mil para o próprio Amariudo;
R$ 400 mil destinados a uma associação de músicos ligada ao irmão;
R$ 163 mil ao irmão Almir Moreira;
R$ 203 mil à sobrinha Kyara;
R$ 75 mil à sobrinha Hellen;
R$ 35 mil ao cunhado Edjailson;
R$ 98 mil ao sobrinho Guilherme;
R$ 405 mil à filha Luanna Moreira;
R$ 78 mil ao genro Lenilson
R$ 6,5 mil à cunhada Socorro, contratada sem processo seletivo.
Os dados consideram apenas vantagens diretas identificadas nos registros públicos, o que indica que o volume total pode ser ainda maior.
Concentração contrasta com realidade social
O cenário chama ainda mais atenção diante da realidade social do município. Enquanto um grupo restrito de familiares acumula valores expressivos dentro da administração, parte da população — inclusive integrantes da própria família ampliada — permanece em situação de vulnerabilidade social, dependente de programas assistenciais.
Questionamentos sobre gestão e legalidade
A presença simultânea de parentes em cargos públicos não é, por si só, ilegal em todos os casos.
No entanto, a concentração de vínculos e recursos dentro de um mesmo núcleo familiar levanta questionamentos sobre:
Critérios de nomeação;
Possível prática de nepotismo;
Uso político da estrutura administrativa;
Concentração de renda com recursos públicos.
Disputa eleitoral amplia debate
O cenário ganha ainda mais relevância diante das eleições suplementares no município. Alçado à condição de candidato do grupo governista, Amariudo Santos pode transformar a permanência no poder em continuidade de um modelo administrativo já em curso.
Para críticos, os dados indicam que a disputa vai além da política eleitoral: trata-se também da manutenção de um sistema que, segundo os registros oficiais, tem beneficiado diretamente um grupo familiar específico.

