Por Wagner Guerra
Em dezembro de 2022, quando seu segundo filho tinha 15 anos, veio a notícia que abalou a cuidadora de idosos, Andreia Maria da Costa, de 44 anos. O estudante Yann Matheus foi diagnosticado com tumor desmoplásico – um sarcoma raro e agressivo, comum em jovens entre 10 e 30 anos, que afeta principalmente a cavidade abdominal. A partir daí, iniciou-se o tratamento. Após algumas cirurgias, Yann entrou em remissão da doença no ano seguinte.
Contudo, em 2025, o filho de Andreia teve uma recidiva. Foi aí que a situação piorou, drasticamente. Em novo diagnóstico, surgia um neuroblastoma – um tipo de câncer que se origina em células imaturas do sistema nervoso periférico.
“De antemão posso afirmar que minha vida foi transformada. Deixou de ser aquela maternidade sossegada. Passei a ter muitas incertezas. Tantas noites sem dormir em casa e no hospital, acompanhando meu filho internado no hospital. Daí vem a quimioterapia com todos aqueles efeitos colaterais. Tudo isso muda muito a nossa rotina”, relatou a mãe.
Antes do diagnóstico, a família morava em São Paulo. Para ter maior rede de apoio, Andreia veio para Natal com seu filho. Atualmente, a cuidadora de idosos tenta com muita fé e esperança seguir na vida. Hoje, aos 19 anos, Yann trata do neuroblastoma na Liga Conta o Câncer e frequenta cursinho preparatório para o ENEM. Em casa, o estudante, que nunca teve assistência do pai, divorciado da mãe quando ele tinha apenas 5 anos, conta com o apoio e amor da irmã de 25 anos, do padrasto e dos avós.
Enquanto isso, Andreia segue em luta diária. “Quando a gente recebe o diagnóstico, toda aquela vida que sonhamos e planejamos cai por terra. No começo é algo devastador, porque nunca estamos preparados para receber esse tipo de notícia, ainda mais quem é mãe”, desabafou.
CRENÇA LIMITANTE
Felizmente, Andreia conseguiu ressignificar a doença do filho. “Na época, eu não tinha muito entendimento. A minha geração foi aquela que achava que o câncer era uma sentença de morte.
Então, crescemos com esse pensamento. Hoje, tenho outro pensamento. O câncer não é uma sentença de morte. Ele tem cura. A gente vive, tem uma vida além do câncer”.
E nisso, Andreia tem razão. É vida que segue! Hoje, além dos cuidados profissionais a idosos, ela estuda para ser técnica de enfermagem. Enquanto segue em ritmo normal, com otimismo e fé inabalada na cura de Yann, os motivos são de gratidão a todos que prestam apoio à família.
“Queria deixar as considerações para todas as mães da Liga que lutam junto comigo. Essa luta não é só minha. É uma luta em conjunto pela vida de nossos filhos. Não é fácil. Abrimos mão da nossa vida particular e almejando a cura, aguardando que ele se alimente melhor depois de uma quimioterapia”.
Assim como outras várias mães, Andreia espera que o amanhã seja melhor, que seus filhos tenham a oportunidade de viver de forma saudável, possam conquistar sua própria liberdade, possuam condições de formar família. “Queria deixar uma mensagem para todas as mães da Liga. Nós lutamos juntas, de mãos dadas, uma com a outra. E essa luta é muito bonita, muito importante para todas nós. Pelo menos é essa a visibilidade que a Liga nos dá, com mais oportunidade para crescermos e acreditarmos que o amanhã vai ser bem melhor”.
“Meus filhos foram rede de apoio forte para continuar vivendo”

A luta pela vida segue. Desta vez, são os filhos quem garantem o suporte necessário para o tratamento e cura da mãe. Com diagnóstico de câncer de mama, em 2014, a aposentada Diva Silva de Lima Costa, de 64 anos, relembra momentos de profunda tristeza e medo. Ao lado do marido, ela caiu em prantos quando a médica confirmou a existência de um tumor.
No dia seguinte, ainda abalada, Diva procurou um mastologista. Lá, ela recebeu as primeiras palavras de apoio, com orientação para tratamento e grande possibilidade de remissão da doença. Foi quando a aposentada se acalmou e criou coragem para anunciar o surgimento da doença aos filhos. “No início, claro, eles ficaram bem assustados”, lembrou.
Diva passou pelo menos seis meses em tratamento na Liga. Lá, fez 16 sessões de quimioterapia e mastectomia no lado direito (remoção cirúrgica total da mama). “Nesse tempo, Deus foi me confortando e abrindo caminhos. Apesar de relatar meu caso a pessoas próximas, não deixei de sair de casa com meu marido e filhos, principalmente nos finais de semana. Eles me deram muita força e apoio nos momentos mais críticos”.
RECIDIVA
Apesar de ter seguido todo o protocolo de tratamento, uma recidiva veio após oito anos. O curioso, observou Diva, é que o nódulo ressurgiu na mesma mama. “Pra quê, por quê?”, questionava.
Junto aos filhos, a mãe tentava explicar o retorno à Liga para início do novo tratamento. Nunca perdeu a fé e declarava à família: “Deus vai me curar”.
Desta vez, a procedimento acrescentou radioterapia à quimio. Atualmente, Diva segue firme e já expandiu sua rede de apoio, onde é membro do Grupo Despertar – uma iniciativa da Liga Contra o Câncer (RN) composta por voluntárias que já superaram o câncer de mama.
A equipe acolhe e apoia, emocionalmente, pacientes recém-diagnosticadas, atuando desde a mesa pré-cirúrgica até visitas hospitalares, além de oferecer oficinas de reabilitação e bem-estar.

