O RN É A BATERIA DO BRASIL
O Rio Grande do Norte consolidou-se como o protagonista absoluto da transição energética brasileira. Ao chegarmos em 2026, o estado não apenas ostenta o título de maior produtor de energia eólica do país, mas funciona como uma verdadeira “bateria”, injetando confiabilidade e sustentabilidade no Sistema Interligado Nacional (SIN).
A pujança desse setor é medida em bilhões. Atualmente, o RN possui uma capacidade instalada que ultrapassa os 10 GW de fonte eólica, representando cerca De 32% da geração nacional. Mas o salto maior está ocorrendo agora, com dois eixos distintos e complementares: 1) Polo Areia Branca: Com foco na produção de Hidrogênio Verde (H2V) e amônia, o município recebe investimentos de R$ 12 bilhões, destacando-se como uma usina tecnológica de combustíveis do futuro. 2) Projeto Alto dos Ventos: Um gigante que se estende pelos municípios de Macau, Pendências, Guamaré e Galinhos. Com licenças ambientais já em fase de expedição pelo Idema, o projeto prevê um aporte de R$ 13 bilhões. Essa iniciativa é estratégica por ocupar uma região de infraestrutura histórica (ligada ao petróleo e sal), agora convertida para a economia de baixo carbono.
Para que toda essa potência gerada em Areia Branca e no complexo Alto dos Ventos chegue ao mercado global, o governo avança com o Porto Indústria Verde, em Caiçara do Norte. É preciso clareza: enquanto os projetos acima focam na geração e transformação o Porto de Caiçara será o escoadouro logístico essencial, dotado de calado natural para receber grandes navios e servir de base para a futura eólica offshore.
Os números impressionam: o setor já sustenta mais de 13,5 mil empregos e faz o PIB das cidades hospedeiras crescer a taxas de 70%.
O desafio que esta CONVERSA LIVRE propõe é: com R$ 25 bilhões em investimentos somados apenas entre esses dois grandes eixos (Areia Branca e Alto dos Ventos), como o Rio Grande do Norte pode garantir que essa “bateria” também alimente o bolso do cidadão potiguar? O vento é nossa nova commodity, mas a riqueza precisa ser, definitivamente, nossa nova realidade.
Resta saber o que os pretensos candidatos ao governo estadual nas próximas eleições pensam sobre o assunto e que planos têm para o Rio Grande do Norte.
COSTEIRA
Audiência pública realizada pela Comissão de Finanças e Fiscalização (CFF) da Assembleia Legislativa, na manhã de ontem, 6, marcou ponto em discussões mais aprofundadas sobre a utilização dos terrenos da Via Costeira.
INICIATIVA
O deputado estadual Luiz Eduardo (PL) é que teve a iniciativa e destacou a importância do tema para o estado. “A transparência e a contribuição dos órgãos são essenciais para avaliarmos o impacto dessas obras e o desenvolvimento socioeconômico e turístico do Rio Grande do Norte”
MUNICIPALIDADE
Com as mudanças verificadas no Plano Diretor de Natal e com as adequações na legislação estadual para uma melhor utilização dos terrenos da Via Costeira, o setor turístico viu possibilidades mais amplas em fazer investimentos que vem se verificando em outras capitais nordestinas.
SECRETÁRIO
O secretário municipal de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal, Thiago Mesquita esteve presente na audiência pública da ALRN e defendeu um novo olhar sobre o uso da Via Costeira. Ele defendeu a superação de uma visão restritiva, baseada apenas em proteção em favor de um modelo que combine preservação ambiental e desenvolvimento sustentável.
DEFINIÇÃO
Para o secretário Thiago Mesquita, “Se conseguirmos garantir sustentação costeira, bons projetos e permitir o desenvolvimento, estamos aplicando o princípio da sustentabilidade”.
PRESERVAÇÃO
Em sua participação durante a audiência pública realizada na Assembleia Legislativa sobre a melhor utilização dos terrenos da Via Costeira, o diretor-técnico da IDEMA, Thales Dantas também se manifestou.
IDEMA
O diretor-técnico do IDEMA lembrou que a própria concepção da Via costeira já previa a integração entre turismo e preservação ambiental, destacando o papel do Parque das Dunas, como patrimônio estratégico para a cidade.
TURISMO
Além da participação do representante do Tribunal de Contas do Estado, auditor José Luiz Moura Rebouças, – que justificou o papel do TCE apenas como fiscalizador das concessões públicas dos terrenos, esteve presente o representante do setor hoteleiro.
TURISMO 2
Edmar Gadelha, da ABIH-RN, defendeu que “A Via Costeira é um ativo riquíssimo e fundamental para o turismo do estado. “Há interesse em novos empreendimentos, desde que respeitado o arcabouço legal”.
PROCURADOR
Sem se aprofundar nas questões polêmicas sobre a utilização legal dos terrenos da Via Costeira, o procurador-geral do estado, Antenor Roberto avaliou que o momento é de reorganização e disse: “Não há um único responsável. O problema é histórico e exige solução construída coletivamente”.

