A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (15) que a Corte provocou um “mal-estar cívico” no país durante a crise envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.
A declaração ocorreu durante a sessão em que o plenário analisou uma questão de ordem apresentada pelo ministro Gilmar Mendes sobre a possibilidade de incluir, no julgamento, um relatório da Polícia Federal relacionado à condução do caso pelo ministro André Mendonça.
Cármen Lúcia acompanhou o entendimento do presidente do STF, ministro Edson Fachin, para que os dois relatórios sejam analisados separadamente.
“Nós mesmos do Supremo, inebriamos o sentimento de justiça do país nos últimos dias”, afirmou a ministra.
Em seguida, Cármen disse que gostaria de ter contribuído para reduzir a tensão em torno do caso.
“Peço desculpas ao povo brasileiro que talvez tenha esperado de mim uma posição diferente. Queria poder ter sido melhor em ajudar a acalmar as coisas e não consegui”, declarou.
STF analisa relatórios envolvendo Moraes e Mendonça
O plenário do Supremo discute se mantém a análise do relatório da Polícia Federal sobre supostas mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ou se também inclui o documento relacionado à atuação de André Mendonça no caso.
A questão de ordem foi apresentada por Gilmar Mendes, que defendeu a análise conjunta dos dois documentos e a redistribuição do processo.
Durante o julgamento, ministros divergiram sobre o rito adotado por Fachin. Flávio Dino, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes votaram a favor da inclusão da análise sobre Mendonça.
Com o voto de Cármen Lúcia, o entendimento de Fachin pela tramitação separada dos casos ganhou novo apoio.

