Por Ana Beatryz Fernandes
Com 55 anos de história no RN, o Centro Universitário Facex (UNIFACEX) mantém uma proposta de educação baseada na proximidade com os alunos, na formação prática e na adaptação às transformações da sociedade. A instituição, fundada pelo economista José Maria Barreto de Figueiredo, consolidou-se ao longo das décadas com atuação na educação básica e no ensino superior.
Hoje, a condução desse legado está nas mãos da reitora do UNIFACEX e diretora pedagógica do Colégio Facex, Candysse Figueiredo e de Oswaldo Figueiredo, Diretor Financeiro. Ela começou a trabalhar na instituição aos 18 anos e passou por diferentes setores antes de assumir funções de gestão. Ele iniciou a ajudar ao pai aos 15 anos no departamento financeiro.
“Comecei a trabalhar aqui muito nova e me apaixonei por educação. Hoje, a educação é a minha vida”, afirma.
Segundo Candysse, a trajetória da instituição é marcada pela busca por qualidade e por uma relação próxima com os estudantes.
“O aluno aqui não é um número. Ele é uma pessoa. Ele tem acesso aos coordenadores, ele tem acesso à reitoria. Eu faço reunião com eles, quando necessário, porque gosto de sentir a instituição através do aluno, pelos olhos do aluno. A gente aprende muito com eles”, destaca.
Direito mais próximo do mercado
Uma das áreas que passa por um processo de modernização é o curso de Direito. Neste ano, o advogado e professor Sebastião Leite assumiu a coordenação da graduação e passou a desenvolver iniciativas voltadas à aproximação entre universidade, mercado e órgãos do sistema de Justiça.
Candysse explica que a escolha pelo professor ocorreu pela identificação de seu perfil com a proposta de modernização do curso.
“Ele é uma pessoa de muito network, uma pessoa antenada com o mercado e realmente está agregando muito ao curso”, afirma.
A aproximação com o mercado levou a instituição a visitar órgãos como Tribunal de Justiça, Tribunal Regional do Trabalho, Tribunal de Contas, Procuradoria do Estado, Ministério Público e escritórios de advocacia. “Além das visitas as instituições estamos firmando convênios com alguns desses órgãos para estágio de nossos alunos. A intenção é compreender as transformações do mercado jurídico e avaliar possíveis adequações na formação dos estudantes.”, afirma o Prof. Sebastiao Leite.
Para os estudantes, a experiência também aparece nos resultados acadêmicos. Milena Monteiro, que está no décimo período e cursa sua segunda graduação, atribui à combinação entre experiência pessoal, dedicação e qualidade dos professores a aprovação de primeira no Exame da OAB.
“Eu comecei a estudar Direito à medida que as matérias iam sendo dadas. Não deixei acumular. A Unifacex me ajudou muito, porque o corpo docente é muito bom, os professores são muito preparados e têm uma didática muito boa, focada também na prova da OAB”, relata.
André Felipe Godeiro destaca a integração entre teoria e prática e a proximidade da coordenação com os estudantes. Ele foi aprovado na OAB ainda no oitavo período.
“A coordenação sempre caminha praticamente lado a lado com os alunos, atendendo aos pleitos.
E, academicamente, a faculdade promove ações de extensão, projetos, aulas integradas, aulas fora do campo universitário e atividades práticas. Essa mistura da teoria com a prática, que é muito importante no ramo do Direito, contribuiu muito para a minha formação e para que eu passasse de primeira na OAB”, acrescenta.
Leitura e tecnologia a serviço da formação
Ao assumir a coordenação do curso de Direito, Sebastião Leite identificou um desafio relacionado ao hábito de leitura entre os estudantes.
Em uma das primeiras atividades em sala, perguntou quantos alunos estavam lendo livros.
Apenas seis dos 59 estudantes presentes responderam afirmativamente.
A situação levou o professor a criar o Clube do Livro que esta levando os alunos ao saudável hábito de leitura e permitindo discussões sobre os mais variados temas.
“Eu disse a eles: você contrataria um advogado que não lê? Você se sentiria à vontade de ser julgado por um juiz que não lê e que não acompanha a jurisprudência? E eles disseram que não.
Eu disse: aqui eu não vejo mais estudantes de Direito. Eu vejo futuros promotores, advogados, procuradores, juízes e professores”, relata.
Outra ferramenta criada pelo coordenador foi o QR Code do Saber. Códigos espalhados pelas salas levam os estudantes a conteúdos curtos, como palestras e falas de filósofos, psicólogos e especialistas.
“Esta tecnologia de o aluno chegar, passar no celular, clicar no QR Code e ver um filósofo falando, ver um psicólogo palestrando, ver o Prêmio Nobel de Matemática dizendo como foi que ele chegou ali, é uma forma de usar a tecnologia a nosso favor e oferecer aos nossos alunos um conteúdo de qualidade.”, explica Sebastião.
Inteligência artificial e o futuro do Direito
A inteligência artificial também entrou no debate sobre o futuro da formação jurídica. Para Candysse, o avanço tecnológico não representa o fim da profissão, mas exige adaptação.
“Existe muito esse mito de que o curso de Direito vai se acabar. E a gente vê que não. O que o profissional precisa é se adequar a essa nova realidade. A inteligência artificial vem para somar como um recurso. Mas esse contato humano não vai se acabar”, afirma.
Inclusão e atenção
Outro eixo que ganhou espaço na instituição é a inclusão. Candysse destaca que o UNIFACEX busca preparar professores e equipes para lidar com diferentes perfis de estudantes.
Neste semestre, a instituição promoveu uma formação voltada aos professores sobre neurodivergência, em parceria com o curso de Psicologia.
“Esse aluno que está chegando é um aluno que é autista, mas ele não só tem autismo. Ele vem às vezes com TDAH, com uma questão de transtorno de ansiedade. Então, tudo isso, o nosso professor tem que estar realmente preparado para receber e acolher esse aluno”, explica.
Teoria e prática no curso de Direito
O professor e vice-coordenador do curso de Direito, Thiago Rufino, destaca que a graduação busca aproximar a teoria da realidade profissional.
Um dos principais instrumentos é o Núcleo de Práticas Jurídicas, que presta atendimento gratuito à população, especialmente a cidadãos hipossuficientes de Natal e Parnamirim. O espaço oferece orientação jurídica e encaminhamento de ações, com acompanhamento de advogado-orientador.
“Possui uma estrutura física e equipamentos que possibilitam simulações de audiências, bem como um auditório próprio que permite a realização de palestras com profissionais dos diversos ramos do Direito. Essa prática também está atrelada à atividades de extensão realizadas em associações comunitárias, sindicatos e outros entes de cunho social”, afirmou o professor.
Na área de pesquisa, os estudantes podem participar de atividades de iniciação científica e publicar trabalhos na revista própria do curso.
O curso também mantém convênios com órgãos da área jurídica no RN e parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil no Estado, tendo iniciado uma parceria com o Lions Clube e passará a participar do Projeto Justiça na Praça em parceria com o TJRN, levando alunos e professores para atenderem as comunidades assistidas pelo Projeto.
A formação inclui preparação para o Exame da OAB, com simulados e aulas de revisão. Os estudantes também têm contato com empreendedorismo por meio da empresa Júnior Jurisconsulto, na qual prestam serviços de orientação a pequenos empreendedores.
A iniciativa amplia a experiência prática e apresenta aos estudantes diferentes possibilidades de atuação profissional.

Uma história construída em 55 anos
A trajetória do UNIFACEX está diretamente ligada à história de seu fundador, José Maria Barreto de Figueiredo. Economista e empresário, ele iniciou sua trajetória profissional ainda jovem e transformou a experiência empresarial em um projeto educacional.
A instituição começou com cursos profissionalizantes e, posteriormente, ampliou sua atuação para a educação básica e o ensino superior.
A expansão ocorreu de forma gradual, acompanhando as transformações de Natal e as demandas do mercado.
Para José Maria, a educação sempre esteve ligada à preparação das pessoas para um mundo em transformação. Essa visão ajudou a orientar a criação de diferentes cursos e a construção do complexo educacional.
Hoje, a combinação entre tradição e inovação aparece como uma das principais características do projeto educacional do UNIFACEX.
De um lado, está uma instituição construída ao longo de 55 anos, com uma história familiar e presença no ensino básico e superior do Rio Grande do Norte. De outro, estão os desafios de uma nova geração de estudantes, marcada pela tecnologia, pelas mudanças no mercado de trabalho e por uma diversidade maior de necessidades educacionais.
Para Candysse, o papel da instituição é fazer essa ponte. “Educação transforma. A gente quer transformar essas pessoas. É esse o nosso propósito”, conclui.

