DE DÉBORA RODRIGUES A ALEXANDRE DE MORAES
Em Brasília, a balança da deusa Têmis parece calibrada conforme o extrato bancário ou a cor do adereço. Quando a ré era Débora Rodrigues, a manicure que ousou desenhar na estátua cega com batom barato a frase “Perdeu, mané”, a espada do ministro Alexandre de Moraes caiu como um raio. Pelo “atentado cosmético” contra as vidraças da República, a moça amargou catorze anos de cadeia, sem direito a desconto na perfumaria.
A mão pesada também não tremeu contra o seu Alcides Hahn, um idoso do interior de Santa Catarina (de Blumenau). O homem cometeu o crime de passar um Pix de R$ 500 para rachar a gasolina de um ônibus rumo à Esplanada. Pois levou idênticos catorze anos de xilindró por “financiar o golpe”. Para o andar de baixo da calçada, cinco notas de cem reais equivalem a um batalhão de tanques.
Eis que a roda da fortuna gira e o enredo ganha contornos de alta finança. No centro do palco, as trocas de mensagens amigáveis entre o próprio magistrado e Daniel Vorcaro, o esfuziante dono do falido Banco Master. Quando o assunto envolve banqueiro perguntando se deve fugir antes da operação policial bater à porta, contratos milionários e encontros em hotéis de luxo, o rigor jacobino subitamente se esvai, dando lugar a uma sinfonia de filigranas.
Nesta terça-feira, o plenário do Supremo Tribunal Federal reúne-se — se não houver um conveniente mal-estar súbito de pauta — para analisar a encrenca. O espetáculo promete acrobacias jurídicas de deixar qualquer trapezista russo no chinelo. Para punir a arraia-miúda, bastava a teoria do domínio do fato interpretada no atacado. Agora, para salvar um dos seus, a corte ensaia um festival de “questões de ordem”, anulações de provas da Polícia Federal e alegações de que o celular de Vorcaro talvez fosse apenas um holograma sem valor pericial.
O medo geral — ou quase uma certeza gastronômica — é que o julgamento descambe para a tradicional receita brasileira de pizza. Se quinhentos reais de um aposentado botam o Estado Democrático de Direito de joelhos, a intimidade de toga com banqueiro bilionário certamente será convertida em “mera cordialidade institucional”.
Afinal, na Praça dos Três Poderes, nada é mais subversivo do que cera labial em pedra fria. Relações perigosas em contratos de prestação de serviços advocatícios e suítes de cinco estrelas, por outro lado, sempre encontram um parágrafo acolhedor e complacente nas nobres togas do Supremo.
GARGALHADAS
É risível assistir na propaganda eleitoral gratuita na televisão e ver o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falar energicamente contra a corrupção, sem deixar de lembrar dos inesquecíveis Mensalão e Petrolão que marcaram o debut do PT na escalada da corrupção. Vide José Genoíno e Zé Dirceu.
GARGALHADAS 2
Depois de ver Lula condenar a prática de corrupção na telinha da tv, dá pra lembrar também dos depoimentos do ex-ministro Antônio Palocci, revelando à Operação Lava-Jato o modus operandi do Planalto, em suas respectivas fases. Dá até para se contorcer de tanto rir.
ESTADUAL
Ao se aproximar o dia da eleição, quando faltam apenas 18 dias para sua realização no primeiro turno, lideranças de nominatas retomam os cálculos para fazer a verificação de quantas cadeiras podem ser conquistadas, com base nas pesquisas eleitorais.
NOMINATAS
O presidente do MDB, o vice-governador Walter Alves, que tem sempre despontado como o mais votado de sua nominata nas últimas pesquisas eleitorais, já consegue enxergar que o seu partido poderá eleger até 3 deputados estaduais.
NOMINATAS 2
O principal objetivo de Walter Alves, além de eleger uma bancada na Assembleia Legislativa, é de fortalecer a legenda do MDB, preparar para as próximas eleições municipais em 2030 como uma legenda municipalista.
NOMINATAS 3
Enquanto o MDB prevê eleger 3 dos 24 deputados estaduais, o PL, partido do candidato a governador Álvaro Dias, ainda acredita que fará a maior bancada na Assembleia Legislativa, chegando a eleger entre 6 a 8 parlamentares.
DENÚNCIAS
Quem teria provocado a Policia Federal a deflagrar a “Operação Sem lastro”, que culminou com a apreensão de R$ 1,5 milhão, em Natal? Ou a operação evidenciou após o saque em notas vivas ainda seladas pela Casa da Moeda?
PUNIÇÃO
Nesse caso da apreensão de R$ 1 milhão e 500 mil, haverá punição eleitoral ou as penalidades ficarão apenas para quem sacou a volumosa quantia?
PERMANÊNCIA
A justiça eleitoral autorizou a permanência da peça publicitária da campanha de Álvaro Dias dando conta de que a medida do ex-prefeito Alysson Bezerra para construir o novo “Nogueirão” pode acarretar risco de prejuízo de R$ 143 milhões e 700 mil aos cofres da Prefeitura de Mossoró. A justiça não acatou pedido de Alysson Bezerra.

