O Programa NE 4.0, desenvolvido pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), concluiu um ciclo de dois anos de apoio à transformação digital da indústria têxtil e de confecções do Rio Grande do Norte. A iniciativa atendeu 30 empresas, estruturou 20 projetos de inovação e qualificou 100 funcionários, gestores e estudantes, fortalecendo a competitividade de um dos segmentos mais importantes da economia regional.
Os resultados ganham relevância em um cenário de crescimento da indústria têxtil nordestina. Segundo o Relatório Setorial da Indústria Têxtil Brasileira 2025, da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), o Nordeste respondeu por 24% da produção nacional de têxteis e vestuário em 2024, enquanto o setor movimentou R$ 211 bilhões em todo o país.
De acordo com o economista da Sudene, Laytemir Canel, responsável pelo acompanhamento da iniciativa, o projeto concentrou esforços na identificação de gargalos produtivos e na construção de soluções adaptadas à realidade das empresas.
“O projeto concentrou-se na identificação de gargalos operacionais e no desenvolvimento de melhorias contínuas. A metodologia consistiu na formação de trios para cada projeto, sendo um estudante bolsista, um consultor e um representante da empresa acompanhada. Ressalto que uma mesma empresa pode desenvolver múltiplos projetos, conforme suas necessidades específicas. Além do Rio Grande do Norte, o programa também foi executado nos estados da Paraíba e de Pernambuco”, explicou.
O NE 4.0 reúne ações voltadas à adoção de tecnologias da Indústria 4.0, estimulando a modernização dos processos produtivos e a ampliação da capacidade de inovação das empresas. No Rio Grande do Norte, a execução ocorreu por meio da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), através do Instituto Metrópole Digital (IMD), enquanto a Universidade de Pernambuco (UPE) coordenou as atividades em nível regional.
Diagnóstico identificou diferentes níveis de maturidade tecnológica
A primeira etapa do programa avaliou o grau de maturidade digital de 30 indústrias têxteis e de confecções, em sua maioria micro e pequenas empresas.
Segundo o coordenador do programa no estado, Anderson Paiva Cruz, professor do Departamento de Informática e Matemática Aplicada (DIMAp/UFRN), o diagnóstico revelou cenários bastante distintos entre as participantes.
“Algumas não possuíam qualquer nível de automação. Outras já contavam com determinadas informações digitalizadas, mas não possuíam soluções capazes de processar e analisar os dados gerados”, afirmou.
Após essa avaliação, os participantes receberam 100 horas de formação técnica, combinando conteúdos teóricos e práticos sobre manufatura avançada e tecnologias da Indústria 4.0.
Na sequência, consultores, bolsistas e representantes das empresas desenvolveram projetos voltados ao planejamento estratégico para gestão digital, automação industrial, integração de sistemas, digitalização de processos e implantação de painéis de Business Intelligence (BI) para apoiar a tomada de decisões.
Programa também investiu na formação de estudantes
Além do apoio às empresas, o projeto promoveu ações de extensão voltadas à formação de estudantes do ensino médio em tecnologias ligadas à Indústria 4.0.
No Rio Grande do Norte, cinco estudantes participaram diretamente da elaboração dos projetos de inovação desenvolvidos durante o programa, aproximando a formação acadêmica das demandas do setor produtivo.
Os resultados também acompanham o desempenho das exportações do segmento no estado. Dados do Data Nordeste mostram que as exportações potiguares de matérias têxteis e produtos derivados somaram R$ 9,8 milhões em agosto de 2026. No acumulado do ano, o volume exportado alcançou quase R$ 74 milhões, incluindo matérias-primas, fios, tecidos e peças de vestuário.

