A Prefeitura do Natal iniciou, nesta terça-feira (18), o projeto de Turismo de Base Comunitária (TBC), iniciativa que busca valorizar os saberes, tradições e modos de vida presentes nas comunidades da capital potiguar e transformá-los em experiências turísticas. O trabalho é coordenado pela Secretaria Municipal de Turismo (Setur) e conta com investimento de R$ 45 mil.
A proposta reúne comunidades, associações, empreendedores e iniciativas locais para identificar potencialidades que possam contribuir para a geração de renda e o desenvolvimento do turismo a partir dos próprios territórios.
A primeira fase do projeto envolveu um mapeamento realizado pela equipe técnica da Setur, que identificou iniciativas com potencial para integrar a ação. A partir desse levantamento, a Prefeitura contratou a Vivejar, instituição especializada em Turismo de Base Comunitária, para realizar uma visita técnica em Natal.
A equipe da instituição permanece no município até quinta-feira (20), conhecendo as comunidades, avaliando potencialidades e necessidades e auxiliando na estruturação das futuras experiências turísticas.
Comunidades participam da construção das experiências
Na manhã desta terça-feira, representantes da Setur e da Vivejar participaram de uma reunião com integrantes das quatro comunidades incluídas nesta etapa do projeto. O encontro apresentou a metodologia do trabalho e discutiu como o Turismo de Base Comunitária pode ser desenvolvido a partir das características de cada território.
Para o secretário municipal de Turismo, Sanclair Solon, o diferencial da iniciativa está na participação direta dos moradores na construção das experiências.
“A Vivejar possui experiência na estruturação de projetos de Turismo de Base Comunitária em diferentes regiões do país e, durante as visitas, vai identificar as necessidades e potencialidades de cada local para apontar, junto aos moradores e ao poder público, os caminhos que poderão ser seguidos”, disse.
Segundo o secretário, após a conclusão dessa etapa, a Setur receberá um relatório com os levantamentos realizados e poderá utilizar o material para buscar recursos e viabilizar ações identificadas durante o processo.
“O que muda com o projeto é que o dinheiro fica na comunidade. Não temos um atravessador, como uma plataforma que vende um produto turístico. Temos a comunidade vendendo o produto turístico. O protagonismo é dado para a comunidade”, afirma Sanclair.
A turismóloga e fundadora da Vivejar, Marianne Costa, explicou que o trabalho começa pela escuta dos moradores e pela compreensão das realidades locais.
“O turismo transforma os destinos e, por isso, estamos nesse diálogo com a Prefeitura para fazer esse trabalho com as comunidades de Natal”, afirma Marianne.
Rendeiras, pescadores e comunidades tradicionais integram projeto
Entre as iniciativas selecionadas estão as rendeiras da Vila de Ponta Negra, a comunidade Gamboa do Jaguaribe, as colônias de pescadores e as vivências no Passo da Pátria, que incluem passeios de canoa, contemplação do pôr do sol e ações de educação ambiental.
As atividades serão analisadas considerando as características, os modos de vida e a forma de atuação de cada comunidade.
No Passo da Pátria, a iniciativa se soma a ações já desenvolvidas por moradores e lideranças locais. A ativista social e coordenadora de projetos na comunidade, Flávia Sarmento, avalia que o projeto pode ampliar as oportunidades no território.
“Já vínhamos articulando esse trabalho há bastante tempo e vemos agora uma oportunidade de desenvolver um segmento que tem muito potencial. Ter esse olhar empresarial e social sobre o que fazemos na comunidade pode contribuir para criar oportunidades de emprego e renda e aproximar os visitantes da realidade do Passo da Pátria”, afirma.
Na Vila de Ponta Negra, a expectativa é fortalecer a valorização do artesanato produzido pelas rendeiras. Marta Tavares, que atua com a produção de renda na comunidade, destaca que a atividade perdeu espaço nos últimos anos e espera que o projeto ajude a recuperar o movimento turístico.
“Esse projeto é muito importante. Antes, o movimento era maior e hoje observamos uma queda na procura. Nossa expectativa é que, com essa nova visão da Prefeitura, a Vila de Ponta Negra volte a ter movimento e que o nosso trabalho também volte a ser mais procurado”, afirma Marta.
Com as visitas técnicas, a Setur e a Vivejar iniciam a fase de diagnóstico das experiências existentes nos territórios. O levantamento será utilizado para definir as possibilidades de estruturação das atividades e os próximos passos do Turismo de Base Comunitária em Natal.

