Após discurso do secretário-geral da ONU, António Guterres, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursa na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York (EUA), nesta terça-feira (22). Em seguida, será a vez do líder dos EUA, Donald Trump.
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Além de criticar o Conselho de Segurança da ONU em relação às guerras, Lula destacou o combate ao crime organizados no país. “O Brasil não subestima o desafio do crime organizado. Estamos preparados para enfrentar as organizações criminosas”, ressaltou.
“As pessoas estão cansadas da violência, mas não vamos terceirizar as responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo. Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Dstamos enfrentando todos os escalões da criminalidade. O combate à corrupção continuará implacável doa a quem doar. Ninguém está acima da lei”, disse.
Lula também defendeu os recursos naturais brasileiros. “As nossas riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro e é em benefício dele que serão exploradas. O acesso ao nossos minerais terá como contrapartida obrigatória a geração de valor em nosso território, a transferência de tecnologia e o suprimento de setores estratégicos nacionais”, defendeu.

Guterres abriu os trabalhos criticando as guerras. “Os combates têm de parar”. O secretário-geral citou “massacre contra os palestinos” e “genocídio na Faixa de Gaza”.
Ele também fez alertas sobre crise climática e uso responsável da inteligência artificial (IA). “As crianças nunca devem ser cobaias de sistemas não regulados”, afirmou.
“Decisões de vida ou morte nunca deverão ser delegadas a máquinas. Robôs assassinos não devem ter lugar em nosso futuro. Paz e segurança, desigualdade, clima e inteligência artificial: esses são os quatro grandes desafios do futuro”, destacou Guterres.
Em seguida, tomou a palavra Khalilur Rahman, presidente da Assembleia Geral da ONU.
Último discurso
Tradicionalmente, o representante brasileiro é o primeiro chefe de Estado a discursar na tribuna da ONU. Em seguida, é a vez do anfitrião, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Esta é a 10ª participação de Lula no encontro, que reúne os 193 países-membros da ONU, e o último discurso do atual mandato. Nesta 81ª edição, o tema é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: Uma ONU que apresenta resultados para todos”.
Nessa segunda-feira (21), em entrevista à CNN Internacional, Lula afirmou estar “um pouco preocupado” com a atuação do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e com uma possível interferência dele nas eleições brasileiras. Segundo o petista, a preocupação se deve ao fato de Rubio ser “muito próximo” da família Bolsonaro.
O presidente ressaltou, porém, que, até o momento, há apenas suspeitas sobre essa possibilidade, mas citou, sem apresentar mais detalhes, possíveis indícios de interferência norte-americana nas eleições por meio do uso de inteligência artificial.
Lula também voltou a dizer que pediu diretamente a Trump que o país não interfira no processo eleitoral brasileiro. “Ele [Trump] já disse a muitas pessoas que não interferirá nas eleições brasileiras. E é bom que ele tenha dito isso. É bom que ele aja assim. Esse é o papel que espero de um presidente”, relatou. O brasileiro também voltou a dizer que o norte-americano age como “imperador”.
Na semana passada, veio a público a informação de que o governo dos EUA apresentou a negociadores brasileiros um documento no qual pedia que “dissidentes políticos” do Brasil não fossem presos, detidos ou impedidos de participar do pleito deste ano. A proposta foi apresentada durante as negociações sobre o tarifaço e imediatamente rejeitada pela gestão Lula.
Apesar do cenário, a aposta é que Lula não deve fazer menções diretas aos Estados Unidos ou a qualquer chefe de Estado ao tratar do tema na ONU. A avaliação é que o presidente passará o recado de maneira polida, mas firme, em linha semelhante ao discurso no ano passado.
Mesmo que não seja o tema central do discurso, a defesa da integridade do processo eleitoral brasileiro é vista como necessária diante dos crescentes “ataques” à democracia ao redor do mundo.
*Com informações de Metrópoles

