O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) obteve mais uma condenação no âmbito da Operação Plata, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas e ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Em sentença da Unidade Judiciária de Delitos de Organizações Criminosas (UJUDOCrim), seis réus foram condenados por ocultação e dissimulação de recursos provenientes da atividade criminosa.
Entre os condenados está Geraldo dos Santos Filho, conhecido como Pastor Júnior. Com a nova decisão, ele passa a acumular 99 anos, 11 meses e 10 dias de reclusão, segundo informou o MPRN.
De acordo com a investigação, Geraldo dos Santos Filho e o irmão, Valdeci Alves dos Santos, comandavam um esquema de aquisição e transferência de bens utilizando familiares como “laranjas” para ocultar patrimônio obtido com o tráfico de drogas.
Além das condenações, a Justiça determinou a perda alargada, em favor da União, dos bens, direitos e valores vinculados aos réus condenados. Também foi autorizada a alienação antecipada dos bens sequestrados durante a investigação, com o objetivo de evitar a depreciação do patrimônio. Os réus poderão recorrer em liberdade.
Condenações
Pela nova sentença, Geraldo dos Santos Filho foi condenado por nove crimes de lavagem de dinheiro à pena de 6 anos, 9 meses e 20 dias de reclusão, em regime fechado.
Valdeci Alves dos Santos recebeu a mesma pena por sete crimes de lavagem de dinheiro, também em regime fechado. Somadas às condenações anteriores, as penas acumuladas chegam a 31 anos, 10 meses e 20 dias de prisão.
Jefferson Santos da Silva foi condenado por sete crimes de lavagem de dinheiro e por associação criminosa, com pena de 6 anos de reclusão em regime semiaberto.
Francisca Neta dos Santos foi condenada por quatro crimes de lavagem de dinheiro e por associação criminosa, recebendo pena de 4 anos e 9 meses de reclusão, em regime semiaberto.
Roberto dos Santos e Érica Cristina da Silva foram condenados por dois crimes de lavagem de dinheiro cada um. Ambos receberam penas de 3 anos e 6 meses de reclusão, em regime aberto, substituídas por penas restritivas de direitos. Érica foi absolvida da acusação de associação criminosa.
Já Aline da Silva Alves França, Jean Carlos da Silva Santos, Ingrid Daniely Vale dos Santos e Matheus Viana Alves dos Santos foram absolvidos de todas as acusações apresentadas pelo Ministério Público.
Esquema movimentava dinheiro do tráfico
Segundo o MPRN, a Operação Plata foi deflagrada para responsabilizar integrantes de um esquema de ocultação de recursos provenientes do tráfico de drogas e vinculados ao PCC.
As investigações apontaram que o grupo utilizava uma rede de pessoas para fracionar depósitos bancários e distribuir dinheiro em espécie, dificultando o rastreamento das movimentações financeiras pelos órgãos de controle.
Entre as provas reunidas no processo estão relatórios patrimoniais, quebras de sigilo bancário e fiscal, interceptações telefônicas e materiais apreendidos durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão.

