O trabalho realizado por pessoas privadas de liberdade (PPLs) na Penitenciária Estadual de Alcaçuz está contribuindo para a melhoria da infraestrutura urbana de Nísia Floresta, na Grande Natal. Dezenove ruas do bairro Hortigranjeira estão sendo pavimentadas com blocos de piso intertravado produzidos no parque fabril da unidade prisional, em uma iniciativa que alia ressocialização, qualificação profissional e redução de custos para o poder público.
A ação é resultado de um convênio entre a Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap) e a Prefeitura de Nísia Floresta. A expectativa é que, com a conclusão das obras, toda a comunidade seja contemplada com pavimentação.
Segundo a prefeitura, a utilização dos blocos fabricados em Alcaçuz proporciona uma economia de até 60% nos custos de pavimentação. Até o momento, mais de 61 mil blocos produzidos na unidade já foram destinados ao município.
A fábrica de pisos foi estruturada a partir de projetos de capacitação profissional desenvolvidos pela Seap em parceria com o Tribunal de Justiça do RN, o Ministério Público do Trabalho (MPT), o Senai e a ONG Reforamar. Os internos selecionados participaram de aulas teóricas e práticas sobre fabricação e instalação dos blocos, com conteúdos voltados à construção civil, preparo de materiais e técnicas de cura do concreto.
Atualmente, 16 internos atuam diretamente na produção de blocos de concreto no parque fabril da penitenciária. Outros 130 participam de diferentes frentes de trabalho, como fabricação de esquadrias de alumínio, marcenaria, reciclagem, confecção de roupas, bolsas, mochilas e terços.
De acordo com o secretário estadual da Administração Penitenciária, Helton Edi, o projeto demonstra como o trabalho prisional pode beneficiar tanto os participantes quanto a sociedade.
“É uma demonstração concreta de que o trabalho prisional pode gerar resultados para toda a sociedade. O interno se qualifica, adquire experiência profissional e, ao mesmo tempo, o município recebe a contrapartida para melhorar a infraestrutura de suas comunidades”, afirmou.
O parque fabril de Alcaçuz conta atualmente com duas plantas destinadas à produção de peças de concreto. Desde a implantação do projeto, mais de 260 mil blocos já foram fabricados.
Além de contribuir para obras públicas, a iniciativa integra a política da Seap de incentivo ao trabalho e à qualificação profissional como instrumentos de ressocialização. O objetivo é preparar os internos para o mercado de trabalho após o cumprimento da pena, ampliando as oportunidades de reinserção social e reduzindo a reincidência criminal.

