O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, em manifestação divulgada após deixar o Brasil, que se considera o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e anunciou que pretende liderar a oposição a partir dos Estados Unidos. A declaração consta em um documento no qual o parlamentar questiona o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, vencido por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na primeira versão do texto, Flávio se dirigiu ao “povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Posteriormente, a redação foi alterada para “líder do Brasil”.
No documento, o senador sustenta, sem apresentar provas, que houve fraude eleitoral e questiona a decisão que prorrogou o horário de votação até as 19h no segundo turno. Flávio também acusa a campanha adversária de abuso de poder político e econômico e defende a cassação da chapa de Lula.
“Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos”, afirmou.
O senador também rejeitou a classificação de sua saída do país como fuga. Segundo ele, a decisão ocorreu diante da possibilidade de medidas judiciais, como apreensão de passaporte, uso de tornozeleira eletrônica, prisão domiciliar e eventual condenação. Flávio, porém, reconheceu que não havia contra ele um mandado de prisão expedido.
“Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado”, declarou.
Em outro trecho, Flávio afirmou que pretende exercer uma atuação política mais ativa fora do país e comparou sua situação à de lideranças que passaram por períodos de exílio, como o ex-presidente francês Charles de Gaulle, o jurista brasileiro Rui Barbosa e opositores venezuelanos.
“Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança”, escreveu.
Oposição nos Estados Unidos
Flávio afirmou que pretende comandar a oposição ao governo Lula a partir dos Estados Unidos e direcionou uma mensagem a aliados políticos, incluindo o senador Rogério Marinho (PL-RN), citado por ele como seu candidato à Presidência do Senado.
“Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, afirmou.
O senador também disse que pretende apresentar uma estratégia de mobilização da oposição e manter comunicação frequente com seus apoiadores.
“Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos”, declarou.
A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil ocorreu após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o cancelamento de seus passaportes e proibiu o senador de deixar o país. A medida foi tomada após investigações envolvendo uma suposta ligação do parlamentar com o advogado Willer Tomaz.

