A TRAGICOMÉDIA NACIONAL
Em terra onde o espetáculo nunca tira férias e o sarcasmo é item de primeira necessidade, o noticiário mais parece um roteiro de comédia pastelão escrito a várias mãos — e com as canetas mais caras da Praça dos Três Poderes.
A começar pela ala dos patriotas em fuga: enquanto a militância bolsonarista fica a “ver navios” e a clamar por intervenção nas redes sociais, o senador Flávio Bolsonaro deu uma demonstração prática de como praticar o “patriotismo itinerante”. Investigado por supostas falcatruas e acrobacias financeiras, Flávio decidiu que o solo sagrado do pátria amada estava quente demais para os seus pés. Proibido de sair do país e sob ordens expressas de entregar o passaporte, ele protagonizou uma evasão espetacular via fronteira argentina antes de aterrissar em solo americano para pregar falcatruas nas urnas que foram desmentidas pelos seus próprios correligionários mais próximos. Para quem pregava a bravura de defender a nação até o fim, deixar a militância chupando dedo e assistindo ao desembarque miami-americano da família foi, sem dúvida, um golpe mestre de retórica aplicada.
Do outro lado do espectro, na ala lulista da corte, a vida também é uma eterna festa — só que com sotaque ibérico. Enquanto a Polícia Federal e as CPMI tentam desenrolar a imensa teia de negócios que envolvem o “Careca do INSS” e os esquemas que atingiram em cheio os proventos dos aposentados, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, aproveita as delícias da Espanha. Nem mesmo as denúncias de sua sócia Roberta Luchsinger que dão suporte a abertura de inquéritos para apurar o suposto tráfico de influência em investidas para “catar” contratos milionários nos ministérios de seu próprio pai parecem tirar o sono do rapaz. Afinal, a vida em Madri é ensolarada e o câmbio em euros convida ao relaxamento, bem longe do barulho incômodo das investigações que correm na burocracia de Brasília.
Entrementes, o empresário Daniel Vorcaro, figura central de um dos maiores escândalos financeiros recentes, pode até estar recolhido à cela da Papudinha, mas segue no topo do ecossistema. Mesmo encarcerado, sua presença é sentida em todas as instâncias da República.
Afinal, os elos tecidos pelo ex-banqueiro alcançam o topo da cadeia alimentar judiciária.
E chegamos, por fim, ao ápice da nossa tragicomédia institucional. Revelou-se que o ministro Alexandre de Moraes foi apanhado com “a mão na botija” do arquivo digital, fazendo nada menos que o copy desk (função que nem existe mais nos jornais) e editando os metadados dos contratos astronômicos de mais de R$ 130 milhões firmados entre a banca de sua esposa e a empresa de Vorcaro. Em qualquer democracia funcional, a descoberta de um magistrado retocando cláusulas contratuais de dezenas de milhões envolvendo investigados de sua própria jurisdição causaria uma comoção cívica e pedidos imediatos de afastamento. Mas não por aqui. Ele continua empunhando a caneta mais poderosa do STF — ferramenta com a qual ele arbitra disputas, assusta o meio político e mantém seus colegas de toga convenientemente acoados —, o ministro segue firme, fagueiro e absolutamente inabalável.
Nesta República, os papéis estão bem distribuídos: aos seguidores resta o papel de bobos da corte, aos investigados a mordomia no exterior e aos detentores do poder a certeza inabalável de que a caneta tudo pode.
ISOLAMENTO
A cada uma de suas declarações descabidas, Flávio Bolsonaro está ficando cada vez mais isolado.
ISOLAMENTO 2
Enquanto o senador Rogério Marinho tenta justificar a aberração da declaração bolsonarista sobre falcatruas nas eleições, mesmo afirmando que não existe provas, o presidente do PL, Waldemar da Costa Neto, diz não ter gostado nada da carta de Flávio Bolsonaro.
PROMESSA
Segundo economistas que permeiam nos escaninhos da gestão Luiz Inácio Lula da Silva, o ano de 2027 promete.
ECONOMIA
Certamente, a economia vai ficar assustada. O Tribunal de Contas da União – TCU propôs que a alíquota de referência da CBS – Contribuição sobre Bens e Serviços seja de 11,3%, o que causa atrito no setor privado e mal estar no Senado.
ECONOMIA 2
Segundo estimativa, logo na gestão Lula 4, o IVA – Imposto sobre Valor Agregado vai chegar a 30%, considerado o maior imposto do mundo. Segundo economistas, o país passará por mais uma recessão, como aconteceu no governo de Dilma Rousseff.
INVESTIGAÇÃO
E enquanto 2027 não chega, vamos aguardar como vão acontecer as investigações ainda não concluídas sobre a roubalheira do INSS e as consequências das investigações envolvendo Daniel Vorcaro.
INVESTIGAÇÃO 2
Certamente, as investigações sobre Flávio Bolsonaro irão prosperar na Policia Federal e no STF, a Roberta Luchsinger deverá ser punida, mas o processo envolvendo Lulinha e o caso que tramita no STF envolvendo o ministro Alexandre de Moraes não irão prosperar.

