Por Fernanda Sabino
Reeleito para a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte com 66.172 votos, o deputado estadual Kleber Rodrigues (PP) reafirma a proximidade política com a governadora Fátima Bezerra (PT), mesmo tendo escolhido apoiar Allyson Bezerra (União Brasil) na disputa pelo Governo do Estado. Atual vice-líder da bancada governista, Kleber reconhece a vitória de Cadu Xavier (PT) e afirma estar aberto ao diálogo com o governador eleito.
O parlamentar afirma que sua decisão eleitoral foi tratada diretamente com Fátima e não alterou a relação construída ao longo dos últimos anos. Segundo Kleber, ele continua integrado à base política da governadora e mantém os canais de diálogo com o grupo que agora estará à frente do Estado.
“Eu nunca saí da base política de Fátima. Quando tomei uma posição política, a primeira pessoa que procurei para conversar foi Fátima Bezerra. Expliquei a ela os motivos. Eu saí pela porta da frente, nunca pela porta dos fundos. Sempre deixei as portas abertas”, afirmou.
O deputado também destacou que a decisão eleitoral foi comunicada diretamente à governadora e não alterou sua relação com o grupo político. Ele apoiou Samanda Alves (PT) para o Senado, depois da inviabilização da candidatura de Fátima, que inicialmente pretendia apoiar.
“Eu sempre me dei muito bem com Fátima, com Samanda, com Francisco [do PT]. Sempre tive um tratamento muito cordial com Cadu, mas quando estou com alguém, estou até o fim. Não visto duas camisas, nem três”, explicou.
Sobre a vitória de Cadu, Kleber afirmou que a prioridade agora deve ser superar as divergências da campanha e trabalhar pelo Estado, independentemente das posições assumidas durante a eleição.
“Reconheço democraticamente a vitória de quem o povo elegeu e, antes de tudo, sou um torcedor do Rio Grande do Norte. Independentemente de quem ganhasse, torço para que meu estado cresça e se desenvolva. Quem fizer tudo pelo crescimento do meu estado terá o meu apoio”, declarou.
O parlamentar classificou a disputa pelo Governo do Estado como uma das mais difíceis que acompanhou e afirmou que não pretende atuar na oposição pelo simples fato de o candidato que apoiou ter sido derrotado.
“Foi uma campanha muito difícil, muito atípica para ambos os lados. E acabou. Arriei as bandeiras. Sou daquele tipo que, quando acaba, arria as bandeiras e comemora a vitória de quem ganhou. Reconheço a democracia e torço para que faça uma boa gestão. Eu nunca vou fazer parte do time do quanto pior, melhor”, afirmou.
Diálogo com Cadu
Ao ser questionado sobre uma possível participação na base do governador eleito, Kleber evitou antecipar qualquer definição e afirmou que uma eventual aproximação dependerá de diálogo. Segundo ele, até o momento não houve convite formal.
“Posso conversar, não tenho nenhum tipo de dificuldade em conversar com ninguém. Claro que vai ter que existir conversa. Não fui procurado por ninguém. Não posso falar de tendência porque não fui procurado. Tem que entender quem tem e quem não tem interesse”, pontuou.
Durante a entrevista, o deputado confirmou ainda que manteve contato com Fátima Bezerra e Samanda Alves após as eleições, reforçando que as divergências eleitorais não comprometeram os vínculos políticos e pessoais.
“Falei com Fátima, falei com Samanda. Não tenho problema pessoal com ninguém, nem pessoal, nem político”, afirmou.
Assembleia e articulações
Sobre a futura presidência da Assembleia Legislativa, Kleber considera prematura qualquer definição. A experiência de dois mandatos, segundo ele, recomenda cautela diante das primeiras movimentações.
“É conversar, dialogar, escutar. O tempo na Assembleia me mostrou que nada vai acontecer agora.
Vai ter muita conversa. Achar que alguma coisa vai se resolver agora, acho bem difícil. Pelo que passei nos dois últimos mandatos, nada se resolve agora”, avaliou.
Ao projetar a próxima legislatura, o deputado reafirmou que pretende preservar a postura que considera uma marca de sua trajetória, tanto nas relações políticas quanto pessoais.
“Eu não sei fazer jogo de meio-termo. Ou sou, ou não sou. Comigo vai ser uma coisa só em todo canto. O que eu nunca vou perder é minha essência, minha postura e minha lealdade. Isso eu não aprendi na política, aprendi com meus pais”, concluiu.

