O “LEGADO” DE ALYSSON BEZERRA
Inaugurado na década de 1960 e batizado formalmente em 1967, o Estádio Municipal Manoel Leonardo Nogueira, em homenagem ao grande desportista que fez história, o Nogueirão consolidou-se como o verdadeiro templo do futebol de Mossoró e da região Oeste potiguar. Palco de clássicos memoráveis entre Potiguar e Baraúnas, a praça esportiva sempre representou a paixão popular e a identidade comunitária da cidade. Contudo, ao longo dos últimos anos, o estádio foi empurrado para um processo severo de abandono estrutural. Sob a gestão do ex-prefeito Alysson Bezerra, a arena chegou a ser interditada por falta de acessibilidade e segurança, culminando na ausência de investimentos mínimos de manutenção e no consequente afastamento do torcedor mossoroense das arquibancadas locais.
Para além do descaso esportivo, o plano adotado pelo Executivo municipal para contornar o problema transformou-se em um imbróglio jurídico e financeiro. A proposta de permuta do terreno histórico pela construção da chamada “Arena Nogueirão” tornou-se alvo de forte contestação técnica. Em parecer recente emitido pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE/RN), o órgão de controle manteve a recomendação de suspensão cautelar do contrato e acendeu um alerta contundente sobre a fragilidade de toda a operação imobiliária e contratual.
O parecer, assinado pelo auditor de controle externo Vladimir Sérgio de Aquino, aponta que não restou demonstrada a viabilidade econômico-financeira do projeto firmado com a empresa F2 Engenharia. Na análise técnica, os números apresentados indicam que o modelo de negócio não seria rentável para a construtora nos moldes pactuados. Esse desequilíbrio estrutural traz um risco financeiro iminente para a administração pública: sem a margem de lucro estimada, a contratada poderá, no futuro, acionar judicialmente o município e pleitear indenizações vultosas.
Os cálculos elaborados pelo corpo instrutivo do TCE/RN estimam que o prejuízo potencial aos cofres públicos da Prefeitura de Mossoró pode alcançar expressivos R$ 143,7 milhões. A conclusão dos técnicos reforça que a troca de um patrimônio público de valor inestimável não pode ocorrer sob a sombra de projeções obscuras, falhas de planejamento e riscos fiscais descomunais.
A controvérsia ganha dimensões ainda mais amplas por atingir diretamente o legado administrativo de Alysson Bezerra, agora postulante ao Governo do Estado. A advertência formalizada pelo Tribunal de Contas expõe uma ferida aberta na gestão municipal: a substituição do zelo pelo patrimônio histórico por promessas de modernização que, na prática, ameaçam legar uma dívida milionária e prolongar a paralisia do futebol mossoroense. O caso segue sob o escrutínio dos órgãos fiscalizadores e da sociedade potiguar, que exigem transparência e responsabilidade com o erário.
ESTRADEIRO
Até o próximo domingo, 23, Walter Alves deverá visitar as quatro regiões do Estado, mantendo contato direto com o seu eleitorado e também com lideranças políticas para garantia de sua eleição para deputado estadual.
OPINIÃO
A cada necessidade de fazer protecionismo, membros do Superior Tribunal Federal – STF investem em temas que lhes servirão de apoio às causas do “bem comum”.
BANALIZAÇÃO
Agora, sobre a investida dos ministros Alexandre de Morais e Flávio Dino investirem sobre a necessidade de voltar a analisar – depois de anos da última decisão – sobre a obrigatoriedade do diploma de jornalismo, o jornal o Estado de São Paulo, abriu seu editorial “A Banalização da exceção”.
EDITORIAL
O jornal paulista, na chamada do editorial, diz: “Antes, o pretexto do STF para atropelar a Constituição era salvar a democracia. Agora, é enfrentar o crime organizado. Daí vem o “debate” sobre a limitação do exercício d0 jornalismo”
CINISMO
Ao final de seu editorial, o Estadão focaliza: “É constrangedor, mas este jornal se sente no dever de informar ao ministro que o sigilo da fonte protege a fonte, não exime o jornalista de responder por eventual crime que cometa”.
CINISMO 2
Concluindo: “Dino recorre a um sofisma travestido de silogismo, e que no fundo só revela o cinismo que passou a grassar na mais alta instância judicial desse país”. E tudo começou quando o ministro Alexandre de Morais rasgou a Constituição ao quebrar o sigilo da fonte do jornalista maranhense.
DITADURA
Segundo Glenn Greenwald, jornalista, advogado constitucionalista e fundador do The Intercept, “Moraes e Dino defendem a volta da regra de 1969 da ditadura militar para regulamentar o jornalismo.
DITADURA 2
Em sua coluna, no jornal Folha de São Paulo, Glenn Greenwald resume: “A norma que Dino e Moraes sugeriram reimpor foi baixada “com fundamento no AI-5 e AI-6. O regime militar buscou limitar quem podia usar a imprensa para denunciar os abusos do Estado ao inventar uma exigência acadêmica inédita para atuar como “jornalista”: a exigência do diploma em jornalismo.
Assim o regime excluiu – deliberadamente – milhões de brasileiros que vinham utilizando a imprensa para denunciá-los”.

