Por Fernanda Sabino
Carga tributária elevada, infraestrutura deficiente, dificuldades de acesso ao crédito, informalidade e baixo investimento no turismo estão entre os principais entraves apontados pela classe empresarial do Rio Grande do Norte. Diante da mudança de governo a partir de 2027, representantes de diferentes segmentos esperam da próxima gestão maior diálogo com o setor produtivo, redução de obstáculos aos investimentos e medidas para ampliar a competitividade da economia potiguar.
Para o presidente da Associação dos Empresários do Bairro do Alecrim (AEBA), Matheus Feitosa, a tributação aparece como uma das maiores dificuldades enfrentadas pelo comércio popular. Ele também cita os efeitos das condições das rodovias sobre os custos das empresas.
“A principal dificuldade que nós enfrentamos é a carga tributária”, afirmou. Segundo Feitosa, problemas de infraestrutura encarecem toda a cadeia. “O frete fica mais caro porque a empresa ou o caminhoneiro tem que gastar mais com manutenção”, exemplificou.
Ao projetar a próxima gestão, o empresário defende incentivos que alcancem negócios de diferentes portes e uma relação mais próxima entre Estado e municípios. “Não só as grandes empresas, mas as pequenas e médias também precisam desse incentivo”, disse. Para ele, o próximo governador deverá buscar uma atuação conjunta independentemente das diferenças partidárias.
No Oeste, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Mossoró (Sindvarejo), Michelson Frota, também coloca a tributação entre as principais preocupações. Ele cita a antecipação do ICMS e alerta que empresas nem sempre possuem fluxo de caixa suficiente para absorver o pagamento.
Frota acrescenta o endividamento das famílias, a inflação e o custo do crédito à lista de dificuldades enfrentadas pelo varejo. “O crédito até existe, mas é um crédito caro”, afirmou. Para o próximo governo, espera medidas capazes de estimular a atividade econômica. “A gente espera que destrave realmente o Estado do Rio Grande do Norte. Temos muitas riquezas aqui, então essa economia precisa girar”, defendeu.
Turismo pede mais investimentos
No setor turístico, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no RN (ABIH-RN), Edmar Gadelha, aponta dois grandes gargalos: a baixa conectividade aérea e o volume de investimentos destinados à atividade. Apesar de reconhecer a existência de diálogo com a atual gestão, cobra maior efetividade das ações.
“Existe, sim, um diálogo aberto. Há uma união do poder público com a iniciativa privada hoje em todos os segmentos do trade turístico. Para tanto, precisamos de mais efetividade”, afirmou.
Entre as expectativas para o próximo governo estão políticas para ampliar a malha aérea e atrair voos internacionais, mais recursos para promoção do destino e parcerias público-privadas para equipamentos turísticos. Gadelha cita ainda o Centro de Convenções de Natal e a retomada de áreas não desenvolvidas na Via Costeira.
Já o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no RN (Abrasel-RN), Thiago Machado, aponta a dificuldade de repassar o aumento dos custos aos consumidores. Segundo ele, mais da metade dos associados não consegue reajustar os preços nem mesmo no limite da inflação sem perder competitividade.
“Quem aumenta preço perde competitividade”, resumiu. Machado também chama atenção para o crescimento da informalidade e defende que a próxima gestão reduza a carga tributária sobre a alimentação fora do lar, segmento que considera parte fundamental da cadeia turística.
Expectativa para 2027
As demandas do empresariado também foram apresentadas aos candidatos ao Governo durante o RN em Foco 2027–2030, promovido pela Fecomércio RN, entre os dias 17 e 19 deste mês. O presidente da entidade, Marcelo Queiroz, destacou que o levantamento entregue aos concorrentes foi elaborado a partir de dados técnicos e da escuta de mais de 1.600 empresários de todas as regiões do Estado.
“Isso vai contribuir para os candidatos e para as ações do futuro governador”, afirmou. Queiroz também reforçou que a Fecomércio pretende manter o diálogo com a próxima gestão. “Estamos à disposição para contribuir com quem for eleito, pensando no desenvolvimento do Rio Grande do Norte e na geração de emprego e renda”, concluiu.

