A chuva de meteoros Orionídeas atinge o ponto máximo de atividade nesta quarta-feira (21) e poderá ser observada em todo o Brasil, incluindo o Rio Grande do Norte. O fenômeno deve proporcionar a visualização de riscos luminosos rápidos no céu durante a segunda metade da madrugada, especialmente após a meia-noite, quando a Lua já tiver se posto.
Segundo a International Meteor Organization (IMO), o pico poderá registrar mais de 20 meteoros por hora em condições ideais de observação. O fenômeno tem origem nos fragmentos deixados pelo cometa Halley, que entram na atmosfera terrestre em alta velocidade e formam os rastros luminosos vistos no céu.
De acordo com o astrônomo Marcelo De Cicco, coordenador do Projeto Exoss, parceiro do Observatório Nacional (ON/MCTI), as Orionídeas são conhecidas por apresentarem meteoros rápidos e brilhantes, que podem deixar trilhas luminosas persistentes.
“Os meteoros podem chegar a 66 quilômetros por segundo, o que é considerado extremamente rápido”, explicou o pesquisador.
O nome da chuva está relacionado à constelação de Órion, onde fica localizado o ponto de origem aparente dos meteoros, chamado de radiante. A região também abriga uma das formações mais conhecidas do céu: as Três Marias.
Segundo De Cicco, a localização favorece a observação no Brasil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde a constelação aparece mais elevada no céu.
“A boa notícia é que todo o Brasil pode observar. O radiante em Órion é visível de norte a sul, com leve vantagem no norte e nordeste, onde ele sobe mais alto”, destacou.
Como observar a chuva de meteoros
Para acompanhar o fenômeno, não é necessário utilizar equipamentos como telescópios ou binóculos. A recomendação é procurar um local com pouca iluminação artificial, afastado de áreas urbanas, e observar o céu a olho nu.
No Hemisfério Sul, a orientação é olhar na direção nordeste/norte, mantendo a visão levemente afastada da constelação de Órion, para aumentar as chances de identificar rastros mais longos.
A melhor janela de observação será entre 1h40 e o amanhecer, quando o céu estará mais escuro.
Fenômeno é causado por fragmentos do cometa Halley
As Orionídeas são formadas pelos detritos deixados pelo cometa Halley durante suas passagens pelo Sistema Solar. O cometa completa uma volta próxima à Terra aproximadamente a cada 75 ou 76 anos.
Quando a Terra atravessa essa região de partículas, os fragmentos entram na atmosfera em alta velocidade e sofrem o processo conhecido como ablação, formando os rastros luminosos característicos das chuvas de meteoros.
O período de atividade das Orionídeas em 2026 começou em 2 de outubro e segue até 7 de novembro, com maior concentração de partículas nesta quarta-feira.
A chuva de meteoros Orionídeas é uma das duas formadas por resíduos do cometa Halley. A outra é a Eta Aquariids, observada em maio.
Registro de imagens pode ajudar pesquisas
O Projeto Exoss, apoiado pelo Observatório Nacional, incentiva que observadores registrem imagens e vídeos do fenômeno. Relatos de bólidos e meteoros podem contribuir para estudos sobre a origem e o comportamento desses objetos espaciais.
A rede reúne informações enviadas por observadores e analisa dados para compreender as características dos meteoros e suas trajetórias.

