O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, afirmou que a disputa eleitoral deste ano tende a ser menos difícil do que a de 2022. As declarações foram dadas em entrevista ao Estadão, na qual o auxiliar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também reconheceu falhas na comunicação do governo e na articulação política.
“Eu digo que não. Em 22, nós tínhamos o fato de estar fora do governo. Hoje, nós temos melhores palanques”, afirmou o ministro, ao ser questionado se a eleição será mais difícil.
Apesar do otimismo, Wellington Dias admitiu que há problemas internos na pré-campanha. “O que é que falta? Falta organizar a orquestra. A orquestra ainda tem instrumentos desafinados. Agora é afinar os instrumentos. Mas temos um bom repertório”, disse.
Comunicação e articulação em ajuste
Na entrevista ao Estadão, o ministro destacou que a comunicação do governo precisa ser ampliada e melhor coordenada. “A comunicação não pode ser colocada apenas na responsabilidade de uma pessoa. É necessário que cada vereador, líder social, deputado e simpatizante tenha sintonia com aquilo que a população valoriza”, explicou.
Ele também afirmou que, apesar dos avanços sociais, esses resultados ainda não são plenamente percebidos. “Esse conjunto de ações ainda não está tendo o efeito que poderia ter”, avaliou.
Nordeste e estratégia eleitoral
Responsável pela articulação no Nordeste, Wellington Dias reconheceu a perda de força do PT na região, mas demonstrou confiança na recuperação. “Sou otimista e digo que temos, inclusive, palanques bem fortes em nove Estados”, declarou.
Segundo ele, os investimentos recentes podem influenciar o eleitorado. “Foi onde a fome e a pobreza mais cresceram e onde também são mais visíveis os investimentos feitos de 2023 para cá. Por isso, acho que haverá reconhecimento nas eleições”, afirmou.
Polarização e críticas à oposição
O ministro também comentou o cenário eleitoral e a possível polarização com o senador Flávio Bolsonaro. “Na prática, é como se estivessem cristalizados dois campos”, disse.
Ele criticou o adversário e defendeu o projeto do governo. “Por mais que o Flávio Bolsonaro queira se disfarçar, ele não vai conseguir. Esse projeto que está querendo voltar já foi”, declarou.
Economia e desafios do governo
Wellington Dias também abordou questões econômicas e apontou os juros altos como um dos principais problemas. “Não faz sentido o Brasil ter uma taxa dez pontos percentuais acima da inflação”, criticou.
Ainda assim, destacou avanços sociais recentes. “Quando a gente pega os 5% mais pobres, a renda cresceu na casa de 40%. Mas esse ganho está sendo engolido pelos juros altos”, explicou.
Ao final, o ministro reforçou a confiança no processo eleitoral, mas pregou cautela. “Apesar do meu otimismo, nada de sapato alto, nada de ‘já ganhou’. É muita humildade e muito trabalho”, concluiu.
