FÁBIO EDUARDO, ENTRE A TRADIÇÃO FIGURATIVA E A RUPTURA CROMÁTICA
O PERCURSO DE UM ARTISTA POTIGUAR QUE TRANSFORMOU MEMÓRIA, COR E COTIDIANO EM LINGUAGEM ESTÉTICA SINGULAR
Fábio Eduardo Soares dos Santos, artisticamente Fábio Eduardo. Natalense nascido em 1970, é pintor, desenhista e artista gráfico cuja trajetória se confunde com a própria maturação da arte contemporânea potiguar. Filho de Maria Nazaré Soares dos Santos e João dos Santos, descobriu seu interesse pelas artes ainda na infância, aos nove anos. Em 1979, participou do concurso Grande Mural Cidade da Criança, marco inicial de sua inserção no universo artístico. Desde então, a arte deixou de ser interesse passageiro para tornar-se vocação definitiva.
FORMAÇÃO E CONSOLIDAÇÃO
Ainda muito jovem, frequentou uma serigrafia, onde desenvolveu a percepção técnica e estética como arte-finalista. Aos 15 anos ingressou na Escola de Arte Ateliê Central, vinculada ao Governo do Estado do Rio Grande do Norte. Em 1988, ao lado de amigos, fundou o Grupo Passo a Passo, coletivo que promoveu exposições e fortaleceu o circuito das artes visuais em Natal. Essa fase foi decisiva para consolidar sua identidade visual, marcada pela disciplina do desenho e pela força compositiva.
EXPOSIÇÕES E RECONHECIMENTO
Em 1991 realizou sua primeira individual, Corpo e Movimento, na Galeria da Biblioteca Câmara Cascudo. Outro momento emblemático ocorreu quando realizou uma importante exposição individual logo após a transformação do Palácio Potengi, que deixou de ser Palácio do Governo para tornar-se Palácio da Cultura. A mostra ocupou individualmente cada sala do espaço, simbolizando não apenas reconhecimento institucional, mas a consagração de sua obra no cenário cultural potiguar. Sua carreira inclui participações em mostras nacionais e internacionais, como As Cores do Rio Grande do Norte (Palma de Mallorca, Madrid e Barcelona, 2000), o Salão Nobre do Senado, Potiguares 2011 no TRF-5 (Recife), além de exposições no Museu Itinerante Ultragaz, no Dia do Circo, e na mostra Tradição & Ruptura, durante a inauguração da Pinacoteca do Estado.
A LINGUAGEM PICTÓRICA

As telas de Fábio Eduardo revelam figuras alongadas, rostos geometricamente sintetizados e uma composição rigorosa, quase arquitetônica. Obras com músicos, festas populares, cangaceiros e cenas do cotidiano nordestino reafirmam sua conexão com a cultura regional. O desenho é estruturante, a cor, narrativa.
Sua própria definição de processo criativo sintetiza sua poética: experiências vividas e cenas simples do cotidiano transformadas em pintura. Como afirma: “A fonte é divina, mas o reflexo se torna mágico.”
ESCOLA, ESTILO E LEGADO
Fábio Eduardo insere-se na vertente da arte figurativa contemporânea nordestina, com forte diálogo com o modernismo brasileiro tardio, o expressionismo figurativo e ecos do cubismo sintético na construção formal. Há também afinidades com o naïf sofisticado, não pela ingenuidade técnica, ausente em sua obra, mas pela valorização do popular, do regional e do afetivo.
Seu trabalho equilibra tradição e ruptura. preserva símbolos identitários do Nordeste enquanto reinventa forma, espaço e cor. Com seis exposições individuais e numerosas coletivas, Fábio Eduardo permanece como um dos nomes relevantes da pintura potiguar contemporânea.

