O TEATRAL PRAGMATISMO DE LULA
Ah, que saudade das velhas e boas assembleias de fábrica! Para quem sentia falta dos discursos inflamados do ABC paulista, o cenário da geopolítica global ofereceu recentemente um espetáculo de pura retrô-militância. Tomado pelo fantasma dos velhos tempos de sindicato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu resgatar o seu figurino mais vistoso e confortável: o de líder operário pronto para resolver contendas mundiais no grito, na provocação e no peito aberto.
Na mira do autoaclamado “bam-bam-bam” do Planalto, surgiram dois alvos perfeitos para sacudir e deliciar as arquibancadas do seu eleitorado mais apaixonado por confrontos: Donald Trump e Javier Milei. Pouco importava se a vizinha Argentina é parceira crucial do comércio brasileiro ou se os Estados Unidos comandam engrenagens vitais do sistema financeiro. O que realmente importava era garantir o delírio da militância sedenta por um embate de narrativa.
Afinal, para que perder tempo com a enfadonha e comedida etiqueta diplomática quando se pode desafiar publicamente os “vilões” da vez em praça pública? Interesses nacionais e cautela institucional podiam aguardar pacientemente na fila; o show do destemido gladiador de palanque não podia parar.
Contudo, a realidade tem a péssima mania de interromper o espetáculo. Passado o frisson das contendas e esgotado o estoque de frases de efeito para consumo do eleitorado interno, a conta dos arroubos verbais finalmente começou a dar sinais de vida. Aconselhado por diplomatas de fisionomia preocupada e conselheiros de sobrolho franzido — que insistiram em lembrá-lo da existência de termos de troca e planilhas de exportação —, Lula subitamente redescobriu a beleza da ponderação.
Em uma metamorfose digna dos maiores ilusionistas da política internacional, o antigo desafiador deu lugar a um seráfico e compenetrado estadista. O tom combativo de outrora deu espaço a um vendedor de cosmético de fina educação, surpreendentemente pronto para encarar entendimentos serenos com as lideranças de Washington e Buenos Aires. Afinal, quando os holofotes se apagam, o comércio internacional exige caneta e papel, não gritos de ordem. Quem diria que o valente sindicalista se revelaria tão cordato quando o pragmatismo exige? Resta acompanhar até quando dura esse espetáculo de civilidade antes que a saudade dos aplausos fáceis fale mais alto.
LARGADA
Está marcada para o próximo domingo, 9h00 da manhã, na avenida Engenheiro Roberto Freire, em frente a loja Ferreira Costa, a Larga da Campanha do chamado “Time de Lula”, que é formado por Cadu, candidato ao governo, Samanda e Rafael Motta, candidatos ao Senado.
ECONOMIA
Dois dos principais jornais do país registraram em seus editoriais as consequências que o Brasil irá enfrentar graças a “economia populista do governo Lula”. O Globo e o jornal Folha de São Paulo trataram do assunto em suas edições de ontem, quarta-feira, 12.
FOLHA
O jornal Folha de São Paulo abriu seu editorial com o título “Gasto público e juros sufocam a economia” e fez a citação: “O crescimento neste ano não se apoia em fontes sustentáveis, mas apenas no impulso populista, com custos elevados e efeitos nefastos – juros estratosféricos e o arrocho financeiro que, de forma progressiva, asfixia o setor privado”.
BONDADE
Em seu editorial, o jornal O Globo abriu o título “’Bondade’ eleitoreira de Lula resulta em má gestão da dívida”, enquanto que assegura que as consequências na economia virão a partir do próximo ano.
BONDADE 2
Ao finalizar seu editorial, o jornal carioca alfineta: “Lula pisou fundo no acelerador. As “bondades” eleitoreiras agravaram a crise fiscal que o próximo presidente, seja quem for, herdará. A saúde dos cofres públicos deveria ser assunto central na campanha eleitoral”.
DISCORDÂNCIA
De um leitor mossoroense vem a discordância da opinião deste colunista em relação ao assunto focalizado na edição dessa quarta-feira, 12, sob o título “As Narrativas da Sobrevivência Eleitoral”, comparando ações do lulismo ao bolsonarismo,
DISCORDÂNCIA 2
O leitor mossoroense já começa sua mensagem dizendo que “Discordo de sua comparação entre lulismos e bolsonarismos. Que Flávio tem os seus defeitos, isso é inegável. Porém, não se compara nem um milésimo dos erros de Lula. Essa questão das “rachadinhas”, embora um erro a ser combatido, não se compara com os roubos e abusos comprovados cometidos sob o comando de Lula”.
DISCORDÂNCIA 3
Sem esconder sua identificação com o bolsonarismo, o leitor mossoroense completa: “Infelizmente, as narrativas da grande imprensa hiper-super estimam os erros dos bolsonaristas e subestimam os roubos PTralha. Triste realidade. Muda Brasil!”.
SIGILO
Ao exercício do jornalista, a Constituição Brasileira, em seu inciso XIV do artigo 5º, reza que “É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”. Ao que parece, o sigilo da fonte foi para o “beléléo”.

