O governo federal anunciou nesta quarta-feira (28) o reforço das investigações sobre casos de violência política registrados após o segundo turno das Eleições 2026. Ao todo, foram contabilizados 45 episódios ocorridos entre sábado (24) e domingo (25), incluindo 10 homicídios, segundo levantamento apresentado pela Secretaria-Geral da Presidência e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Os casos aconteceram após a divulgação do resultado da disputa presidencial, que terminou com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Em entrevista coletiva, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que não haverá impunidade para os responsáveis pelos crimes.
“Não haverá impunidade nesses casos. Isso é inadmissível. Nós vivemos um processo democrático e, como em toda eleição, um ganhou e outro perdeu. Isso não pode ser pretexto para o cometimento de crimes, para agressões. Não pode ser pretexto para assassinatos”, afirmou.
De acordo com o governo, as ocorrências envolvem 47 vítimas. Entre os registros estão 10 mortes, sete casos de atropelamentos intencionais, 14 episódios de agressões físicas, espancamentos e esfaqueamentos, cinco disparos ou atentados com armas de fogo, cinco situações de violência e coação contra povos indígenas e seis casos envolvendo abusos de autoridade e violência policial.
Segundo os integrantes do governo, as denúncias têm como vítimas apoiadores do presidente Lula e envolvem suspeitos ligados ao grupo político do candidato derrotado Flávio Bolsonaro. As circunstâncias de cada ocorrência ainda serão investigadas pelos órgãos competentes.
Medidas de investigação
O Ministério da Justiça informou que a Polícia Federal vai instaurar inquéritos para apurar crimes eleitorais, violência política de gênero e violações de direitos humanos.
Também estão previstos encaminhamentos à Procuradoria-Geral da República (PGR), além do acionamento das corregedorias das Polícias Militares e Civis e dos Ministérios Públicos estaduais nos casos que envolvam agentes de segurança.
O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ademar Borges, afirmou que as ocorrências possuem diferentes naturezas criminais.
“Alguns são crimes eleitorais e alguns envolvem violência política de gênero, que serão investigados pela PF. Já há dezenas de inquéritos instaurados e estamos apurando todas as denúncias. Há casos que envolvem racismo, violência comum, casos de homicídio, violência física, lesão corporal”, explicou.
Casos de repercussão
Entre os episódios que tiveram maior repercussão está o ataque contra a vereadora Iara Pimentel (PT), de Montes Claros (MG), durante um ato político no sábado. A parlamentar foi atingida no rosto por um objeto e precisou ser retirada do local pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Outro caso ocorreu no Paraná, onde Eliseu Pedrozo dos Santos, de 38 anos, morreu após ser atropelado durante uma comemoração pela vitória de Lula. Segundo informações divulgadas pela imprensa local, um motorista embriagado atingiu quatro pessoas durante uma ação que teria ocorrido após o resultado eleitoral.
Em Santos (SP), a Polícia Civil investiga a morte do engenheiro Marcelo de Oliveira da Rocha, de 30 anos, espancado após retornar de um ato político. Ele usava adesivo de apoio a Lula. A investigação trata o caso como latrocínio, mas a motivação política ainda não foi confirmada.
O governo também citou denúncias envolvendo comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul, onde a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) relatou suspeita de envenenamento de água em território Guarani Kaiowá. O caso também será apurado.

