Por Elane Nascimento
A menopausa ainda é cercada por dúvidas, mitos e falta de informação. Para ampliar o acesso ao conhecimento sobre essa etapa da vida feminina, a ginecologista e obstetra Iaponira Vidal, especialista em climatério e menopausa, lançou o “Manual da Menopausa: Menopausa sem dor: vivendo o melhor dessa fase”, com orientações sobre sintomas, cuidados e possibilidades de tratamento.
A médica explica que a iniciativa nasceu da percepção, ao longo dos anos de atendimento, da necessidade de uma comunicação mais acessível sobre o tema. Desde 2015, quando retomou o ambulatório de climatério na Maternidade Escola, Iaponira acompanha mulheres em diferentes fases da transição menopausal e percebeu que muitas chegam ao consultório sem compreender as mudanças que estão acontecendo no próprio corpo.
“Já faz um tempo que eu trabalho no climatério, desde 2015, quando eu reabri o ambulatório lá na Maternidade Escola, e percebi o quanto as pessoas precisam entender melhor sobre essa fase”, explicou a especialista.
Segundo ela, o manual busca levar informação em uma linguagem simples e acessível, seguindo uma tendência observada em outros países, que utilizam redes sociais e diferentes plataformas para ampliar o acesso da população ao conhecimento sobre saúde.
Climatério não é sinônimo apenas de ondas de calor
Um dos principais desafios, segundo a médica, é desconstruir a ideia de que a menopausa está relacionada apenas às ondas de calor ou ao envelhecimento. O climatério corresponde a todo o período de transição, geralmente iniciado por volta dos 40 anos e que pode se estender até os 65 anos. Já a menopausa é definida como a última menstruação, após 12 meses sem novos ciclos.
“A partir dos 35 ou 40 anos, a gente já começa a perceber algumas alterações. E, ao contrário do que muitos pensam, as principais alterações não são relacionadas às ondas de calor. As principais alterações, as mais prevalentes, são as alterações do ciclo menstrual”, esclareceu Iaponira Vidal.
A especialista destaca que a transição menopausal pode envolver uma série de manifestações, incluindo alterações no sono, memória, energia, desejo sexual e humor. Segundo ela, existem mais de 200 sintomas que podem aparecer nessa fase.
Para Iaponira, muitas mulheres passam anos convivendo com sintomas sem procurar ajuda por acreditarem que as mudanças fazem parte apenas do envelhecimento.
“A principal medida para mudar essa perspectiva é justamente fornecer a informação, provocar discussões em grupos, pelas mídias, pelo jornal, pela TV. A mulher precisa ter mais esclarecimentos sobre as alterações que podem acontecer”, afirmou a médica.
Ela explica que o atendimento durante o climatério precisa considerar não apenas exames laboratoriais, mas também as queixas apresentadas pela paciente e o impacto dos sintomas na rotina.
Além disso, a médica alerta que alguns cuidados iniciados ainda durante a transição menopausal podem contribuir para uma melhor qualidade de vida no futuro, incluindo atenção aos níveis de colesterol, glicemia e outros fatores de risco.
Quando os sintomas interferem na rotina, existem diferentes possibilidades terapêuticas. A especialista destaca que o tratamento deve considerar as características de cada mulher, incluindo histórico de saúde, preferências e avaliação médica.
“Existem muitos tratamentos, como a terapia cognitivo-comportamental e outras abordagens na psicologia, alguns tratamentos psiquiátricos, medidas alimentares, exercícios físicos e a própria terapia hormonal, que é o padrão ouro”, explicou Iaponira Vidal.
Ela ressalta, porém, que nem todas as mulheres podem ou desejam utilizar terapia hormonal. Por isso, a decisão deve ser construída junto ao médico, após uma avaliação completa.
“A mamografia é um dos principais exames que não pode deixar de ser feito. Mas a história clínica, a história da família da pessoa é muito importante ser bem exposta, ser bem comunicada para o profissional que vai assisti-la”, esclareceu a especialista.
Menopausa também envolve autoestima e saúde emocional

Além dos sintomas físicos, a menopausa pode trazer impactos emocionais. Segundo Iaponira, ansiedade, alterações de humor e quadros depressivos podem surgir, especialmente em mulheres que já possuem histórico dessas condições.
Para ela, o acolhimento da família e dos parceiros também tem papel importante. A comunicação é apontada como uma ferramenta essencial para que a mulher não enfrente essa fase sozinha.
“Conversando, procurando entender o que está a acontecer. A comunicação efetiva é a comunicação afetiva, aquela em que a gente olha para o outro e é capaz de escutar a dor dele, a dúvida dele, a necessidade dele e acolher da melhor forma possível”, afirmou a médica.
A especialista destaca que a mulher pode se preparar para essa fase adotando hábitos de vida mais saudáveis e buscando autoconhecimento.
“A preparação de uma vida com mais comunicação, com mais qualidade, procurando se alimentar melhor, procurando fazer exercício, entender melhor sobre si, sobre o que quer e o que é, eu acho que essa é a principal preparação”, comentou Iaponira Vidal.
O “Manual da Menopausa: Menopausa sem dor: vivendo o melhor dessa fase” ficará disponível gratuitamente no Instagram da ginecologista, no perfil @iaponiravidal_ginecologista.

