A melhoria da qualidade do leite, o investimento em melhoramento genético e a adoção de tecnologias adaptadas ao semiárido estão entre as principais estratégias do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Rio Grande do Norte (Sebrae-RN) para fortalecer a bovinocultura potiguar. Em entrevista ao Diário do RN, o gestor da Pecuária da instituição, Luis Felipe Silva, destacou os desafios enfrentados pelos produtores rurais e as iniciativas desenvolvidas para ampliar a produtividade e a competitividade do setor.
Durante a Festa do Boi 2026, a instituição promoveu discussões sobre o futuro da cadeia produtiva, com destaque para o tema “O leite que o mercado quer”. A proposta é orientar os pecuaristas sobre as exigências da indústria e a necessidade de produzir com qualidade, regularidade e custos competitivos.
“O nosso objetivo é mostrar ao produtor que o mercado busca leite de qualidade, com segurança alimentar, regularidade no fornecimento e preço competitivo. No Rio Grande do Norte, os principais desafios são os custos de produção, a alimentação do rebanho durante a estiagem, a produtividade e a qualidade do leite”, explicou Luis Felipe.
Segundo o gestor, o Sebrae busca transformar essas dificuldades em oportunidades por meio da assistência técnica, da capacitação e da introdução de novas tecnologias nas propriedades rurais.
Interior do RN concentra potencial de crescimento da produção leiteira
A bovinocultura leiteira desempenha um papel importante na economia do interior potiguar, especialmente para agricultores familiares que dependem da atividade como fonte de renda. Entre as regiões com maior potencial de expansão, Luis Felipe destaca o Seridó, o Alto Oeste e a região Central do estado.
Entretanto, o crescimento do setor não depende necessariamente do aumento do número de animais. Para o Sebrae, o principal caminho é melhorar a eficiência produtiva dos rebanhos existentes.
“Nosso foco é melhorar a produtividade dos rebanhos, porque crescer não significa apenas aumentar o número de animais, mas produzir mais leite, com qualidade e menor custo”, afirmou.
A avaliação também orienta as discussões sobre o panorama da bovinocultura potiguar, considerando os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e as perspectivas para o Censo Agropecuário de 2027.
Mastite bovina preocupa produtores e compromete rentabilidade
Outro tema abordado durante a programação foi a mastite bovina, doença que afeta as glândulas mamárias dos animais e representa uma das principais causas de perdas econômicas na atividade leiteira.
De acordo com Luis Felipe, a enfermidade pode reduzir a quantidade de leite produzido, elevar os gastos com medicamentos e comprometer a qualidade do produto comercializado.
Para enfrentar o problema, o Sebrae incentiva a adoção de medidas preventivas, como a higienização durante a ordenha, a manutenção dos equipamentos, a identificação precoce de animais infectados e o acompanhamento técnico das propriedades.
“Prevenir a mastite significa reduzir custos e aumentar a rentabilidade”, ressaltou o gestor.
A qualidade do leite também pode representar ganhos financeiros para os produtores. Segundo ele, aqueles que conseguem atender aos padrões exigidos pelos laticínios ampliam as possibilidades de negociação, bonificação e acesso a novos mercados.
“Quando o produtor entrega um leite de melhor qualidade, aumenta suas possibilidades de negociação, bonificação e acesso a novos mercados”, destacou.
Programa Leite e Genética prepara novas oportunidades para 2027
Entre as iniciativas apresentadas pelo Sebrae-RN na Fazendinha Modelo da Festa do Boi está o Programa Leite e Genética, voltado ao melhoramento dos rebanhos e à ampliação da eficiência produtiva.
A iniciativa combina tecnologias reprodutivas com orientações sobre nutrição, sanidade e manejo dos animais. O objetivo é desenvolver rebanhos mais produtivos e adaptados às condições climáticas do Rio Grande do Norte.
Para 2027, a expectativa é ampliar o acesso dos pequenos produtores às tecnologias e à assistência técnica, conforme os critérios e a disponibilidade do programa.
Luis Felipe explicou que o período de adesão ocorre anualmente entre março e maio. Durante a Festa do Boi, o Sebrae também realizou atendimentos e organizou uma lista de produtores interessados em participar da próxima edição.
“O objetivo é ter animais mais produtivos e adaptados à nossa realidade climática. Para 2027, a perspectiva é ampliar o acesso dos pequenos produtores às tecnologias reprodutivas e à assistência técnica”, afirmou.
Produção adaptada ao semiárido é essencial para superar desafios
Além das questões sanitárias e genéticas, as condições climáticas continuam entre os maiores obstáculos para o desenvolvimento da pecuária potiguar. A irregularidade das chuvas e o custo elevado da alimentação animal dificultam a manutenção da produtividade, sobretudo durante os períodos de estiagem.
Diante desse cenário, o Sebrae defende o planejamento alimentar, a formação de reservas de forragem, o melhoramento genético e o controle financeiro das propriedades como medidas fundamentais para garantir a sustentabilidade econômica da atividade.
Para Luis Felipe, conhecer os custos de produção é tão importante quanto investir em tecnologia.
“O produtor precisa conhecer quanto custa produzir cada litro de leite para tomar decisões mais eficientes”, enfatizou.
A estratégia defendida pela instituição busca fortalecer a competitividade da pecuária potiguar sem desconsiderar as particularidades ambientais e econômicas do semiárido. Com assistência técnica, gestão e inovação, a expectativa é que os pequenos produtores consigam elevar a produtividade, reduzir desperdícios e conquistar melhores condições de comercialização.

