Um edifício histórico que resistiu à Primeira e à Segunda Guerra Mundial foi devastado por um incêndio durante uma onda de protestos na França, neste sábado (17). A sede da prefeitura de Limoges, no centro do país, foi incendiada por um grupo de pessoas mascaradas, provocando o desabamento do telhado e da torre do relógio, um dos principais símbolos arquitetônicos da cidade. As informações são da agência de notícias Reuters.
Construído em 1883, o prédio de estilo neorrenascentista era considerado um importante patrimônio histórico francês. O incêndio provocou comoção entre os moradores, que acompanharam a destruição e compararam as imagens ao incêndio da Catedral de Notre-Dame, em Paris, ocorrido em 2019.
Segundo a Reuters, o prefeito de Limoges, Guillaume Guérin, afirmou que o ataque apresentou características de uma ação planejada. Ele também criticou a ausência de policiamento suficiente nas proximidades da prefeitura, uma vez que as forças de segurança haviam sido deslocadas para acompanhar manifestações em outras áreas da cidade.
A destruição atingiu um dos edifícios mais conhecidos de Limoges, cuja arquitetura foi inspirada na prefeitura de Paris. O imóvel também possuía reconhecimento como patrimônio histórico protegido.
Incêndio destruiu grande parte da estrutura
De acordo com a emissora Euronews, o representante do governo francês na região, Maurice Barate, informou que o telhado desabou sobre os pavimentos inferiores, enquanto aproximadamente dois terços da parte externa do edifício foram destruídos. A ala oeste foi uma das poucas áreas preservadas.
A torre do relógio, com cerca de 43 metros de altura, também desmoronou durante o incêndio. As imagens da destruição circularam nas redes sociais e repercutiram internacionalmente.
As autoridades classificaram o episódio como uma grave perda para o patrimônio cultural francês. A extensão dos prejuízos ainda deverá ser avaliada para determinar as possibilidades de recuperação da estrutura.
Protestos contra custo de vida provocam confrontos
O incêndio aconteceu durante manifestações nacionais contra o aumento do custo de vida e a deterioração dos serviços públicos, especialmente na área da educação.
Segundo a Reuters, centenas de milhares de pessoas participaram de atos em diferentes cidades francesas. Embora grande parte das manifestações tenha ocorrido pacificamente, grupos envolvidos em episódios de violência atacaram prédios públicos, incendiaram veículos e saquearam estabelecimentos comerciais.
Os confrontos foram registrados em cidades como Paris, Marselha, Lyon e Limoges. Na capital francesa, policiais utilizaram gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar grupos envolvidos em distúrbios.
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, condenou os episódios de violência e atribuiu os ataques a grupos extremistas e criminosos. O presidente Emmanuel Macron também prometeu responsabilizar os envolvidos na destruição de patrimônios e nos confrontos com as forças de segurança.
Moradores comparam destruição ao incêndio de Notre-Dame
A destruição da prefeitura provocou tristeza e indignação entre os moradores de Limoges. Em entrevista à Reuters, Françoise Faurie, que presenciou o incêndio, afirmou que a cena trouxe de volta as lembranças da destruição da Catedral de Notre-Dame.
A moradora contou que sua família planejava realizar o batizado da neta no edifício no mês seguinte. Diante dos danos, lamentou a perda de um espaço que fazia parte da história e da identidade da cidade.
Outros moradores também manifestaram indignação com o ataque e cobraram a identificação dos responsáveis. Para eles, a destruição de um patrimônio que atravessou mais de 140 anos representa uma perda que ultrapassa os danos materiais.
O incêndio na prefeitura de Limoges se tornou um dos episódios mais marcantes da onda de violência registrada na França neste fim de semana. As autoridades deverão investigar as circunstâncias do ataque e identificar os responsáveis.

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