A aprovação do fim da escala 6×1 pelo Senado Federal, na quarta-feira (14), ganhou destaque na imprensa internacional, que classificou a medida como uma vitória política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e um possível impulso à sua candidatura à reeleição. A decisão ocorre a apenas 11 dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, quando o petista enfrentará o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Veículos como Reuters, Financial Times, The Guardian, BBC, Le Monde e Deutsche Welle repercutiram a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e garante dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial. A proposta foi aprovada em dois turnos, por 75 votos favoráveis e apenas um contrário, e segue para promulgação pelo Congresso Nacional.
A agência internacional Reuters destacou, em reportagem publicada nesta quinta-feira (15), que a aprovação representa uma importante conquista legislativa para Lula a menos de duas semanas da votação presidencial. Segundo a agência, a reforma constitui uma das maiores mudanças nos direitos trabalhistas brasileiros em décadas e poderá beneficiar mais de 37 milhões de trabalhadores formais, conforme estimativas do governo federal.
A Reuters também chamou atenção para o apoio de parlamentares de diferentes campos políticos, incluindo Flávio Bolsonaro, que havia se posicionado contra a proposta, mas anunciou uma mudança de posição na terça-feira (13), véspera da votação.
O jornal britânico Financial Times apresentou a aprovação como uma vitória para o presidente brasileiro, destacando que o fim da escala 6×1 era uma das promessas defendidas por Lula. Segundo a publicação, aliados do petista esperam que a medida fortaleça sua campanha na reta final da disputa presidencial.
Apesar disso, o jornal também apresentou avaliações mais cautelosas sobre os efeitos eleitorais. Analistas ouvidos pelo veículo consideram que a aprovação pode ter impacto limitado nas urnas, já que os trabalhadores só começarão a sentir os benefícios após a eleição. O custo de vida elevado e o endividamento das famílias também são apontados como obstáculos à recuperação eleitoral do presidente.
Já o britânico The Guardian destacou que a reforma deverá beneficiar especialmente trabalhadores do comércio, restaurantes e hotéis, setores marcados pela presença de empregados de baixa renda. O jornal também ressaltou que Flávio Bolsonaro passou meses se opondo à mudança, antes de declarar apoio diante da popularidade da proposta.
Na mesma linha, a emissora britânica BBC tratou a medida como uma transformação histórica na legislação trabalhista brasileira e destacou a expectativa de aliados de Lula de que a aprovação ajude a reduzir a vantagem de Flávio Bolsonaro na disputa eleitoral.
Imprensa europeia destaca disputa eleitoral
Na França, o jornal Le Monde destacou que a redução da jornada era defendida havia meses pelo governo brasileiro e figura entre as medidas com as quais Lula busca diminuir a diferença eleitoral para Flávio Bolsonaro.
O espanhol El País também apresentou a aprovação como uma vitória política do presidente, destacando que dezenas de milhões de brasileiros passarão a ter direito a um segundo dia de descanso semanal. Segundo o jornal, a campanha petista aposta na mudança trabalhista para tentar reverter o resultado do primeiro turno.
Na Alemanha, a Deutsche Welle ressaltou que a reforma poderá beneficiar mais de 37 milhões de trabalhadores, embora não alcance automaticamente parte significativa dos profissionais da economia informal, como trabalhadores autônomos e de plataformas digitais.
Mudança de posição de Flávio Bolsonaro também repercute
Outro ponto destacado pela cobertura internacional foi a mudança de posicionamento do candidato do PL. Flávio Bolsonaro e integrantes de seu partido haviam criticado a proposta, argumentando que a iniciativa poderia elevar os custos das empresas e que sua votação às vésperas do segundo turno tinha motivações eleitorais.
Entretanto, diante da ampla aprovação popular da medida, o senador anunciou que votaria favoravelmente à PEC. Segundo a Reuters, pesquisas realizadas ao longo de 2026 indicaram apoio próximo de 70% dos brasileiros ao fim da escala 6×1.
Mesmo após aderir à proposta, Flávio defendeu a necessidade de compensações econômicas para os empresários, como medidas de desoneração da folha de pagamento. O candidato participou remotamente da votação e não discursou durante a sessão.
O que muda com o fim da escala 6×1
A proposta aprovada pelo Congresso estabelece uma transição gradual para a nova jornada de trabalho. Sessenta dias após a promulgação, o limite semanal será reduzido de 44 para 42 horas, com garantia de pelo menos dois dias de descanso remunerado.
Após mais 12 meses, a jornada máxima cairá para 40 horas semanais, sem redução salarial. Uma das folgas deverá ocorrer preferencialmente aos domingos.
A medida representa uma mudança significativa na organização do trabalho brasileiro, especialmente em setores como comércio e serviços, nos quais a escala de seis dias de trabalho para apenas um de descanso é amplamente utilizada.
Em publicação nas redes sociais após a aprovação, Lula classificou a decisão como uma conquista histórica dos trabalhadores e afirmou que a mudança permitirá mais tempo para o descanso, a convivência familiar e os cuidados pessoais.

