A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgou que 78,5% das famílias no país estão endividadas, sendo maior índice da série histórica, iniciada em janeiro de 2010. Diante desse número, levanta-se o debate sobre a importância da educação financeira dentro do ambiente escolar e familiar, desde a base.
A educação financeira consiste no processo de aprendizado acerca das questões financeiras, seja ela pessoal ou empresarial, conforme explica o administrador e educador financeiro Romero Souza: “É um processo de aprendizado contínuo que envolve adquirir conhecimentos, habilidades e atitudes para tomar decisões financeiras informadas e eficazes. Isso inclui entender como criar um orçamento, gerenciar dívidas, economizar, investir e planejar para metas futuras. A educação financeira capacita as pessoas a tomar controle de suas finanças pessoais, minimizar riscos financeiros e buscar oportunidades para o crescimento financeiro sustentável’.
O especialista avalia o cenário nacional e atribui a esse alto índice de endividamento a falta de educação financeira desde a base: “Atualmente, no Brasil, observa-se um cenário misto em relação à educação financeira. Enquanto muitos brasileiros ainda enfrentam desafios relacionados à desorganização financeira e à falta de conhecimento sobre como lidar com o dinheiro de forma eficaz, também há um crescente interesse e busca por educação financeira.
Muitos brasileiros ainda enfrentam dificuldades em criar um planejamento financeiro, controlar gastos e lidar com dívidas de maneira estratégica. Isso pode ser atribuído a uma combinação de fatores, incluindo a falta de educação financeira formal nas escolas, a cultura de consumo e a falta de acesso a informações financeiras confiáveis”.
Romero Souza enfatiza o quão é crucial a preparação e orientação de base sobre finanças: “A introdução da educação financeira nas escolas é crucial para preparar os alunos para lidar com dinheiro na vida adulta. Isso ajuda a desenvolver hábitos saudáveis, a tomar decisões informadas, a evitar dívidas excessivas e a reduzir o estresse financeiro. Além disso, promove a responsabilidade cidadã e contribui para a estabilidade econômica no longo prazo. Em resumo, a educação financeira escolar é um passo importante para formar adultos conscientes e preparados financeiramente”.
Uma escola em Natal, a Maple Bear, está desenvolvendo um projeto para estimular que as crianças do 3° ano do ensino fundamental, a criarem consciência e noção de finanças. O projeto: “Trocas e trocos: projeto educacional leva a crianças temas como consumo consciente, economia e doações. Planejar, administrar recursos financeiros, praticar o desapego e o consumo consciente e reutilizar recursos naturais”. Durante a unidade, os estudantes vão planejar e captar recursos financeiros, desapego de roupas e outros objetos que possam ser reutilizados para doações ao projeto Chuveiro Solidário e ao Lar da Vovozinha, em Natal.
A professora Camila Pereira, classifica como um momento único e valioso para inserção dessa disciplina para as crianças: “Introduzir a educação financeira para crianças de 7 e 8 anos oferece uma série de vantagens valiosas, estabelecendo uma base sólida para uma compreensão saudável das finanças desde cedo”. Explicou ainda os conhecimentos a serem aplicados: “conhecimento introdutório da educação financeira: como o dinheiro remunera o trabalho e dinamiza as trocas; como e por que é poupado, investido, transferido; quando e como doar dinheiro, tempo e talento. Realização de eventos planejados e administrados pelos próprios alunos consolidarão o conhecimento adquirido”.
Dentre os inúmeros benefícios, a professora cita alguns: “Hábitos financeiros saudáveis desde cedo; compreensão do valor do dinheiro; tomada de decisões conscientes; planejamento financeiro básico; redução do estresse financeiro futuro; conscientização sobre o consumismo”.
O aprendizado vai além das estruturas da escola, como conta o aluno Lucas Vidal Rego, 8 anos, que vende doces: “Nessa unidade eu consegui aprender que a gente precisa fazer uma poupança para podermos investir e comprar o que a gente quiser. Como estou fazendo algumas coisas e vendendo aqui na escola e no meu prédio”.
A professora conta como acontece: “Essa produção de doces, Lucas realiza com a mãe, em um momento de doação, tempo e talento. Ele traz para escola para vender e também realiza as vendas no condomínio onde mora para arrecadar recursos”. Explica ainda que essa arrecadação financeira terá um prêmio para turma que mais arrecadar: “com essa arrecadação, a turma terá um dia especial, com diversos brinquedos e brincadeiras e uma parte desse valor será revertida como doação para o chuveiro solidário e lar da Vovozinha”.

