A sexualidade feminina ainda é um tabu e o corpo da mulher é atrelado a um ideal retrógrado, que visa apenas a satisfação dos prazeres masculinos. Em busca de fugir deste estereótipo, a fotógrafa potiguar Ruzia Padilha, por meio da fotografia sensual, acredita num trabalho transformador para mudar o olhar que as mulheres têm de si mesmas.
“Fotografar mulheres veio também da minha paixão por ser fotografada e de saber os sentimentos que se olhar através de outros olhos geram. Essa transformação é gostosa demais, é meu combustível para seguir me entregando”, relata.
Ruzia se formou em Educação Física, mas durante os estágios, percebeu que não se sentia feliz e realizada neste segmento. Quando se mudou para São Paulo, se profissionalizou e, no meio dessa jornada de autodescoberta, se encontrou na fotografia feminina, que segundo ela, agrega uma troca de vivências entre as mulheres.

Há 12 anos fotografando de maneira profissional,com essa perspectiva, Ruzia criou sua própria empresa de fotografia, a Intimité. É por esta que ela compartilha ensaios fotográficos, com paisagens de tirar o fôlego e poderosos cliques que ressaltam a beleza da mulher nos mais variados tipos de corpos.
“Eu fotografava eventos e tive a ideia de criar um projeto autoral, onde eu pudesse ser livre para criar. Comecei fotografando amigas e a primeira foi a Alice. Ela morou um tempo na França e Intimité foi o primeiro nome que ela sugeriu. Já amei de cara a pronúncia e o significado, ‘intimidade’. Achei perfeito porque resume exatamente o projeto, fotografar com intimidade, fora a intimidade que já existia entre as minhas amigas e eu”.
Ruzia Padilha busca, na composição de seus ensaios fotográficos, usar elementos de identidade das mulheres, como itens pessoais e significativos. Segundo ela, geralmente as lingeries estão presentes, como também peças de roupas e acessórios. Nesse estilo fotográfico o foco é a sensualidade que cada mulher expressa.
Hoje morando em Pipa, em Tibau do Sul, com suas duas filhas, ela divide a rotina entre os afazeres domésticos e demandas diárias.
Ruzia se dedica integralmente à Intimité e diz que em seu trabalho, por trás das lentes ela se reconhece nas mulheres que fotografa e isso inspira seu trabalho: “Tanto na busca infinita por fazer a manutenção da minha autoestima, porque isso é um processo diário, quanto à busca por viver experiências onde eu posso dar palco para minha sensualidade”.
O pornográfico e o sensual
Conforme a fotógrafa, as pessoas confundem o sensual com a nudez e muitas vezes reforçam uma ideia deturpada de atrelar fotos sensuais à pornografia e vulgaridade, mas segundo ela, há diferença entre as duas expressões fotográficas, apesar de haver sobreposições entre os dois estilos.

“A fotografia de nu artístico tem como objetivo principal explorar a forma do corpo humano de maneira artística e estética. Geralmente busca transmitir emoções, contar histórias ou capturar a beleza natural do corpo. Já a fotografia sensual busca retratar a mulher de maneira íntima, não necessariamente com nudez”.

