O DEBATE DA CORRUPÇÃO 2
A decisão de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro de se esquivarem do tradicional debate promovido pela TV Bandeirantes não surpreende os analistas políticos. Em vez de um confronto de propostas para o país, ambos preferem o terreno pantanoso do chamado “debate da corrupção”, uma estratégia em que cruzam acusações mútuas, blindam-se de perguntas incômodas e deixam o eleitorado atordoado na difícil tarefa de escolher o “menos ruim”.
Verdade que já tratamos desse assunto aqui na nossa CONVERSA LIVRE, mas com o aparecimento de novos fatos se faz necessário lembrar que do lado da oposição, a campanha de Flávio Bolsonaro patina diante das explicações mal resolvidas sobre o financiamento do filme de ficção “Dark Horse”, obra inspirada na trajetória de Jair Bolsonaro. Investigações no Supremo Tribunal Federal apontam que o senador articulou repasses milionários junto ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Documentos e áudios revelam negociações que alcançaram somas expressivas destinadas à produção, levantando suspeitas sobre a opacidade dos recursos e o real destino de dezenas de milhões de reais, cuja prestação de contas detalhada segue cobrada por órgãos fiscalizadores e adversários políticos.
Em contrapartida, o Palácio do Planalto enfrenta forte desgaste com os desdobramentos de investigações conduzidas pela Polícia Federal que atingem o núcleo mais próximo do atual governo, com a Operação Elli. O filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva – o Lulinha – é alvo de três inquéritos distintos que apuram crimes como tráfico de influência e corrupção, incluindo suspeitas de conexões com esquemas de fraudes em órgãos previdenciários e negociações paralelas com pastas ministeriais, além das recentes descobertas de pagamentos efetuados com dinheiro vivo sacado das contas de envolvidos com os escândalos financeiros.
A situação do governo agravou-se consideravelmente com as revelações da PF envolvendo Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de Gabinete de Lula. Relatórios apontam que Marcola recebeu repasses financeiros e minutas de contratos — como propostas de venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde — intermediados por uma empresária ligada a Lulinha. O escândalo forçou a saída estratégica de Marcola da chefia da assessoria presidencial.
O cenário governista também foi fortemente abalado pelas investigações da Operação Compliance Zero, que atingiram o senador Jaques Wagner (PT-BA), então líder do governo no Senado, assunto que vem sendo esquecido pela chamada grande imprensa. Wagner tornou-se alvo de mandados de busca e apreensão e passou a ser investigado sob a suspeita de atuar como beneficiário de vantagens econômicas ligadas ao mesmo Daniel Vorcaro e ao empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. Os relatórios da Polícia Federal apontam indícios de repasses de milhões de reais ao núcleo familiar do senador, além de investimentos financeiros em aplicações do banco e o uso de facilidades e aeronaves. Embora Wagner negue irregularidades e afirme ter se encontrado com o banqueiro apenas em ocasiões estritamente formais, suas explicações até o momento têm sido consideradas evasivas por opositores, forçando-o a deixar a liderança governista no Congresso sob intensa pressão política.
Diante desse cenário de graves suspeitas cruzadas, candidatos e lideranças evitam os palcos de debates abertos porque sabem que o confronto direto obriga respostas transparentes que nenhum dos lados deseja dar. Prefere-se o cabo de guerra retórico, onde os escândalos se anulam na percepção pública, polarizando a disputa pelo desgaste e empurrando o eleitor para o dilema da polarização explícita.
SABATINA
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) que é candidato a presidência da República, foi sabatinado na noite da última segunda-feira, 24, na TV Globo, com apoio de O Globo, CBN e Valor Econômico.
STF
Um dos focos do presidenciável Romeu Zema foi com acusações aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Tóffoli, do Superior Tribunal Federal (STF).
MENÇÃO
Na sabatina do Jornal Nacional, Zema mencionou notícias que remetem aos dois magistrados: o contrato do escritório de advocacia da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e o negócio da família Tóffoli,
MENÇÃO 2
Sem mencionar seus nomes, o presidenciável do Partido NOVO disse que “As revelações do caso Master indicam que ‘tem gente’ usando a cadeira do Superior Tribunal Federal (STF) para fazer negócios”.
MENÇÃO 3
Em relação ao que falou sobre Alexandre de Moraes e Dias, na sabatina, Tóffoli, Romeu Z Romeu Zema sentenciou: “Em qualquer país civilizado, já teriam sido expelidos, estariam em situação insustentável. E a nossa permissividade ou impunibilidade tem permitido a continuidade”.
DISCUSSÃO
Na Assembleia Legislativa, na sessão de ontem, terça-feira, 25, a discussão acirrada girou em torno do assunto da antecipação do ICMS para determinados setores da economia. A cobrança do ICMS antecipado vem sendo questionado por juristas e pelo setor produtivo.

