A nova defesa do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, avalia pedir, nos próximos dias, a transferência dele para a superintendência da PF (Polícia Federal) como uma das etapas para fechar um acordo de delação premiada.
Preso na quinta-feira (16), na quarta fase da Operação Compliance Zero da PF, Costa está detido no Complexo da Papuda. De acordo com a investigação, ele teria recebido R$ 140 milhões de Daniel Vorcaro para viabilizar a compra do Banco Master pelo BRB, instituição financeira controlada pelo governo do Distrito Federal.
Nesta quarta-feira (22), o ex-presidente do BRB trocou a defesa. O advogado Cleber Lopes Oliveira, que representa o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) em outras ações, foi substituído pelo criminalista Eugênio Aragão.
Ex-ministro da Justiça do governo Dilma Rousseff, Aragão terá ao lado o advogado e professor de Direito Penal Davi Tangerino.
Costa já se reuniu com a nova equipe para definir a estratégia de defesa. A opção de delação está colocada sobre a mesa.
Com isso, Paulo Henrique Costa repete o roteiro do dono do Banco Master. Após ser preso, Vorcaro trocou advogados, pediu a transferência para a superintendência da PF e fechou um termo de confidencialidade para dar início à negociação da delação.
A proposta de colaboração de Costa acende o alerta nas defesas dos demais envolvidos. A avaliação é que o ex-presidente do BRB pode oferecer informações técnicas e avançar em detalhes de como ocorria o esquema de compra de carteiras fraudulentas do Master pelo BRB, além de apontar se atuou com aval de superiores.
A ordem de prisão de Paulo Henrique Costa e do advogado Daniel Monteiro, ambos suspeitos de integrar o esquema de fraude financeira do Banco Master, está sendo julgada no plenário virtual da Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) até esta sexta-feira (24). O julgamento pode ser paralisado se houver pedido de vista.
Até agora, apenas o ministro Luiz Fux seguiu o relator André Mendonça para manter a prisão. O ministro Dias Toffoli, que deixou a relatoria do caso por supostas ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro, se declarou impedido. Faltam votar os ministros Kassio Nunes Marques e Gilmar Mendes, presidente da turma.
De acordo com a PF, Paulo Henrique Costa recebeu seis imóveis de alto padrão, localizados em São Paulo e no Distrito Federal, para viabilizar a aquisição de carteiras consideradas fraudulentas no caso do Banco Master. Os imóveis são avaliados em R$ 146,5 milhões. Desse total, cerca de R$ 74,6 milhões já teriam sido efetivamente pagos, conforme os elementos reunidos até o momento.
Já o advogado Daniel Monteiro, segundo a PF, atuava como “arquiteto jurídico” do esquema de propina envolvendo Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master. O advogado teria facilitado, organizado e providenciado todas as assinaturas necessárias para legitimar a compra e venda de imóveis oferecidos a Paulo Henrique.
*Com informações de CNN

