O presidente estadual do Partido Verde (PV), Rivaldo Fernandes, defendeu a industrialização como eixo estratégico para o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Norte e ampliou o debate sobre os desafios da economia potiguar após declarações do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN), Roberto Serquiz, durante evento promovido pelo C-Level Academy.
No encontro, Serquiz destacou a necessidade de reformas tributárias e melhorias no ambiente regulatório e ambiental para impulsionar investimentos no estado. Em resposta, Rivaldo afirmou concordar com a relevância desses fatores, mas argumentou que a discussão precisa avançar para questões estruturais.
“Concordo com Roberto Serquiz quando ele afirma que as questões tributárias e ambientais são fundamentais para destravar investimentos e melhorar a competitividade do Rio Grande do Norte. Mas o debate precisa ser mais profundo e honesto sobre as causas dos gargalos que enfrentamos”, afirmou.
Entre os pontos levantados pelo dirigente do PV está a situação dos órgãos ambientais estaduais. Segundo ele, o sistema de licenciamento passou por um processo de enfraquecimento ao longo de diferentes governos, o que impactou a capacidade operacional do setor.
“Se queremos licenciamento mais rápido e eficiente, precisamos fortalecer institucionalmente os órgãos ambientais. Não existe desenvolvimento sustentável sem um Estado tecnicamente preparado para apoiar os investimentos”, declarou.
Rivaldo também argumentou que o Rio Grande do Norte mantém uma estrutura econômica baseada na produção e exportação de matérias-primas, sem aproveitar plenamente as etapas de transformação industrial.
“Temos uma economia que produz riqueza, mas não captura integralmente os benefícios dessa riqueza. Exportamos minério, petróleo, sal e diversos produtos primários enquanto as etapas industriais mais rentáveis acontecem em outros estados ou países”, afirmou.
Ao citar a fruticultura irrigada, um dos principais setores econômicos do estado, o presidente do PV defendeu investimentos em produtos industrializados derivados da produção agrícola.
“Somos grandes produtores de frutas, mas ainda avançamos pouco na industrialização de polpas, sucos, geleias, frutas desidratadas, bebidas e outros derivados que poderiam ampliar empregos e renda no interior.”
Ele também mencionou a cadeia produtiva do sal marinho, na qual o estado lidera a produção nacional, mas, segundo sua avaliação, ainda possui baixa agregação de valor.
“A industrialização do sal pode gerar produtos alimentícios especializados, insumos para a indústria química, cloro, soda cáustica, produtos farmacêuticos e inúmeras aplicações industriais. É uma riqueza que ainda não aproveitamos plenamente.”
Outro exemplo citado foi a atividade petrolífera. Rivaldo questionou a participação do estado nas etapas industriais relacionadas aos derivados do petróleo.
O dirigente também destacou oportunidades relacionadas à mineração, especialmente nos projetos de exploração de ouro na região do Seridó e de minério de ferro em Jucurutu. Para ele, o desafio é criar condições para que parte da cadeia industrial permaneça no estado.
Em relação às contas públicas, Rivaldo afirmou que os problemas fiscais são resultado de decisões acumuladas ao longo de diferentes períodos administrativos.
“O desequilíbrio fiscal não nasceu ontem. É resultado de décadas de decisões equivocadas, omissões e ausência de planejamento.”
Apesar das críticas, o presidente do PV reconheceu a contribuição da FIERN para o debate sobre desenvolvimento econômico. Segundo ele, os diagnósticos produzidos pelo Observatório da Indústria são importantes, mas devem integrar uma discussão mais ampla sobre o futuro do estado.
Ao final, Rivaldo defendeu a construção de um projeto de longo prazo para o Rio Grande do Norte e afirmou que a principal discussão para os próximos anos deve estar relacionada à agregação de valor às riquezas produzidas no estado.
“O que falta não são riquezas naturais. O que falta é um projeto consistente de industrialização capaz de agregar valor às nossas matérias-primas, gerar empregos qualificados, elevar salários e ampliar a arrecadação.”
Segundo ele, o debate sobre desenvolvimento deve buscar responder como o Rio Grande do Norte poderá se transformar de exportador de matérias-primas em uma economia mais industrializada e inovadora.

