Guto Graça Mello, o homem que conseguiu a façanha de transformar as trilhas sonoras de novelas em verdadeiros objetos de desejo e fenômenos de vendas, faleceu nesta terça-feira (5), aos 78 anos. Guto estava internado há pouco mais de um mês no Hospital Barra D’Or e, foi vítima de uma parada cardiorrespiratória.
Filho de uma linhagem de artistas, seus pais eram os atores Stella e Octávio Graça Mello, Guto respirava arte. Ele chegou a flertar com a arquitetura, mas a música falou mais alto. Ao longo de cinco décadas, ele não apenas produziu mais de 500 discos, como também moldou o ‘ouvido’ do brasileiro.
Você consegue imaginar Gabriela sem a voz de Dorival Caymmi ou o clássico ‘Alegre Menina’? Foi Guto quem teve a visão de encomendar essas obras. E o que dizer de Pecado Capital? Diz a lenda que ele montou o repertório da novela em apenas três dias e convenceu Paulinho da Viola a compor o hino ‘Dinheiro na mão é vendaval’ em poucas horas.
Guto tinha tinha o dom de alinhar a música perfeitamente ao drama da tela. Ele não apenas selecionava canções; ele criava ‘tendencias’ sonoras que faziam o público correr para as lojas de discos no dia seguinte.
À frente da Som Livre, Guto Graça Mello foi um estrategista. Ele usava a potência da TV Globo para alavancar artistas que hoje são pilares da MPB. De Rita Lee e Maria Bethânia a nomes que estavam começando, como Cazuza e Lulu Santos, quase todo mundo que brilha no rádio passou pelo crivo e pela produção de Guto. Foi ele, inclusive, quem produziu o primeiro disco da Xuxa, que se tornou um dos maiores sucessos de vendas da história do país.
Mesmo após deixar a Globo e a Som Livre no final dos anos 80, Guto nunca parou. Continuou criando jingles, trilhas para cinema (são mais de 30 filmes no currículo) e produzindo discos com o perfeccionismo que era sua marca registrada.
Guto Graça Mello deixa a esposa, a atriz Sylvia Massari, duas filhas e dois enteados. Com informações do Correio 24h.

