O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou com Donald Trump, antes da viagem aos Estados Unidos, pelo telefone celular do empresário Joesley Batista, dono da JBS.
O contato telefônico ocorreu na véspera do feriado do Dia do Trabalhador (1º), sem a presença do chanceler Mauro Vieira ou de assessores da área internacional da Presidência da República.
Durante a visita de Joesley ao Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, Lula relatou a dificuldade que o governo brasileiro estava tendo para marcar uma agenda com Trump.
A promessa de uma visita de Lula à Casa Branca para discutir tarifas, questões comerciais e uma parceria no combate ao crime organizado foi tratada em um telefonema entre o petista e o presidente americano em dezembro de 2025.
Lula chegou a dizer que o encontro deveria ocorrer em março, mas a agenda não se concretizou em meio à eclosão da guerra do Irã, embora as equipes dos dois governos mantivessem contato permanente.
Ao ouvir Lula relatar a dificuldade de acertar o compromisso, Joesley perguntou se poderia naquele momento ligar para Trump. O presidente não tem um telefone próprio — ele é avesso a celular.
Diante da autorização, o empresário mandou buscar o próprio celular, que estava em outro ambiente, e, na frente de Lula, ligou para Trump.
De acordo com relatos de Joesley a interlocutores, Trump atendeu à chamada no terceiro toque.
Foi nessa ligação, longe das formalidades da diplomacia tradicional, que Trump desbloqueou sua agenda para a visita de Lula, que ocorreu na quinta-feira (7) na Casa Branca.
Por meio da Pilgrim’s Pride, sua subsidiária nos Estados Unidos, a JBS foi a maior doadora empresarial para a cerimônia de posse de Trump e Joesley construiu uma relação de proximidade com o líder republicano.
Em um clima de informalidade, Trump encerrou a conversa dizendo a Lula: “I love you”.
O contato telefônico entre Lula e Trump não foi registrado nas agendas dos dois chefes de Estado. Procurados, o Palácio do Planalto e o Itamaraty não se pronunciaram.
Após o aval de Trump, o cerimonial dos dois países passou a organizar a ida de Lula à Casa Branca, definida como uma agenda de trabalho e não uma visita de chefe de Estado.
*Com informações de CNN

