O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (2), durante a convenção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) que oficializou sua candidatura à reeleição, que pretende enfrentar uma “briga democrática” com o Congresso Nacional caso seja eleito para um quarto mandato. Segundo o petista, o Poder Executivo tem perdido atribuições para o Legislativo nos últimos anos.
Em discurso aos militantes e dirigentes da legenda, Lula disse que considera necessário discutir o equilíbrio entre os Poderes e afirmou que não pretende permitir que a Presidência da República continue perdendo competências constitucionais.
“Quero que vocês saibam: vai ter briga. Vai ter briga com os meios parlamentares, vai ter briga com o papel que hoje tem o Poder Legislativo”, declarou.
Como exemplo, o presidente citou a necessidade de vetar projetos de lei que criam universidades federais por iniciativa de parlamentares. Segundo Lula, a criação de instituições de ensino superior é uma atribuição do Poder Executivo.
“Esses dias eu peguei, ô Randolph, eu vou ter que vetar uma faculdade criada por você. Você aprovou no Senado uma universidade no Amapá, eu sei que também aprovaram uma em Minas Gerais. Hoje eu tenho que vetar, porque a universidade é do presidente da República, não é de deputado ou de senador”, afirmou.
Na sequência, Lula argumentou que, caso não exerça o veto, a prática poderá se repetir em larga escala.
“Se eu não vetar, sabe o que vai acontecer? O ano que vem vai ter 523 universidades todo ano. Então, eu não posso permitir que o presidente da República vá perdendo os seus direitos.”
O presidente também afirmou que o Executivo vem perdendo espaço em indicações para órgãos e instituições públicas.
“O presidente da República vai perdendo o direito de indicar agência, vai perdendo o direito de indicar ministro da Suprema Corte, vai perdendo o direito de indicar ministro do Cade. Ou seja, daqui a pouco, qual é o direito que tem o presidente da República? Nenhum.”
Apesar do tom crítico, Lula ressaltou que a disputa institucional deve ocorrer dentro dos limites democráticos.
“Vai ter que ter briga democrática para a gente dar uma mudada nesse país”, concluiu.
Ainda durante a convenção, o presidente voltou a criticar o atual modelo de financiamento dos partidos políticos, manifestando posição contrária ao fundo partidário. A declaração foi feita ao defender mudanças no sistema político e no funcionamento das instituições.
A convenção nacional do PT, realizada em São Paulo, oficializou a candidatura de Lula à reeleição e confirmou o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na composição da chapa para as eleições presidenciais de 2026.

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