O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, durante o debate presidencial da TV Globo, realizado na noite desta sexta-feira (23), que o salário mínimo brasileiro estaria em aproximadamente R$ 900 caso os governos do Partido dos Trabalhadores não tivessem adotado uma política de reajustes acima da inflação. A declaração ocorreu durante um confronto com o senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário do petista no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25).
Lula questionou o candidato do PL sobre sua proposta para a valorização do salário mínimo e criticou a política de reajustes adotada durante os governos dos ex-presidentes Michel Temer e Jair Bolsonaro.
“Se não fosse o governo do PT, Lula e Dilma, se a gente não tivesse reajustado o salário acima da inflação, sabe quanto seria o salário mínimo por conta do seu pai e do Temer, que não aumentaram? Seria R$ 900”, declarou o presidente.
A afirmação faz referência à política de valorização do salário mínimo implementada nos governos petistas, que permitiu reajustes superiores à inflação, garantindo ganhos reais aos trabalhadores.
Atualmente, o salário mínimo nacional é de R$ 1.621, conforme estabelecido pelo Decreto nº 12.797, de 23 de dezembro de 2025, com vigência a partir de janeiro de 2026.
Durante o debate, Lula também criticou o adversário por não apresentar inicialmente uma explicação sobre como conduziria os reajustes salariais em um eventual governo. O presidente argumentou que a valorização do piso nacional beneficia não apenas os trabalhadores, mas também aposentados, pensionistas e beneficiários de programas sociais vinculados ao salário mínimo.
Em resposta, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende manter aumentos acima da inflação caso seja eleito presidente. O senador também prometeu reajustar os benefícios previdenciários e negou que pretenda privatizar empresas públicas como a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e a Petrobras.
O candidato do PL, por outro lado, criticou a condução da economia pelo atual governo, responsabilizando Lula pelo endividamento das famílias e pela perda do poder de compra da população.
Política de valorização foi retomada em 2023
A política permanente de valorização do salário mínimo foi restabelecida pela Lei nº 14.663, sancionada em agosto de 2023. A legislação determina que os reajustes considerem a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores.
Posteriormente, alterações nas regras fiscais limitaram o ganho real a 2,5% ao ano, além da reposição inflacionária.
Durante a gestão de Jair Bolsonaro, os reajustes do salário mínimo acompanharam predominantemente a inflação, sem a manutenção de uma política permanente de ganhos reais vinculada ao crescimento econômico.
A diferença entre os modelos foi um dos principais pontos de confronto entre os candidatos no debate.
Cálculos indicam valor próximo ao citado por Lula
A estimativa apresentada pelo presidente encontra respaldo em simulações de correção monetária, embora o resultado varie conforme o período inicial e o índice de inflação utilizado.
Uma verificação publicada pelo UOL Confere, com base na Calculadora do Cidadão do Banco Central, apontou que o salário mínimo de R$ 200 vigente no início de 2003, corrigido exclusivamente pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), chegaria a aproximadamente R$ 905 em 2026.
Já um levantamento do Brasil de Fato, utilizando o INPC e tomando como referência o salário mínimo de R$ 260 de janeiro de 2004, estimou um valor de aproximadamente R$ 852.
Os cálculos são hipotéticos e demonstram o efeito acumulado dos reajustes reais ao longo dos anos, mas não permitem afirmar com certeza qual seria o valor do piso caso outras políticas econômicas tivessem sido adotadas.
O salário mínimo também serve de referência para aposentadorias, pensões e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), fazendo com que seus reajustes tenham impacto direto na renda de milhões de brasileiros.
A discussão ocorreu no último debate entre Lula e Flávio Bolsonaro antes da votação do segundo turno, quando os eleitores decidirão quem ocupará a Presidência da República pelos próximos quatro anos.

