A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), neste domingo (25), ganhou destaque nos principais veículos da imprensa internacional. A vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL), após uma virada inédita no segundo turno, foi apresentada por jornais e agências de notícias de diferentes países como um marco histórico para a democracia brasileira e um obstáculo ao avanço da direita na América Latina.
Com 51,76% dos votos válidos, Lula conquistou seu quarto mandato presidencial, tornando-se o primeiro brasileiro a vencer quatro eleições para a Presidência da República. O resultado também marcou a primeira vez, desde a redemocratização, que um candidato derrotado no primeiro turno conseguiu reverter a disputa e vencer a eleição presidencial.
Nos Estados Unidos, o The New York Times destacou que o Brasil reelegeu Lula e rejeitou a candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O jornal interpretou o resultado como uma derrota para o movimento conservador que vinha conquistando espaço político na América Latina.
O The Washington Post também deu destaque à vitória, ressaltando que a reeleição do petista interrompe uma sequência de triunfos eleitorais da direita na região. A publicação relacionou o resultado brasileiro ao cenário político latino-americano e à influência do presidente norte-americano Donald Trump.
Vitória de Lula é vista como revés para Trump
A relação entre Brasil e Estados Unidos esteve entre os principais temas abordados pela cobertura internacional. A agência Associated Press destacou que a reeleição de Lula representa um revés para a ampliação da influência política de Washington na América Latina.
A agência apresentou o presidente brasileiro como um crítico de Donald Trump e ressaltou que sua vitória contraria a tendência recente de crescimento de governos conservadores alinhados à Casa Branca.
A rede norte-americana CNN também relacionou o resultado ao cenário internacional, destacando que Lula derrotou um aliado de Trump e manteve o Brasil sob um governo de esquerda, em um momento de fortalecimento da direita em outros países latino-americanos.
O Financial Times, por sua vez, classificou a vitória como uma das maiores conquistas políticas da trajetória de Lula, mas ressaltou os desafios que o presidente enfrentará no quarto mandato, especialmente na economia e nas negociações com um Congresso de maioria conservadora.
Europa destaca virada inédita e resistência à extrema direita
Na Europa, a vitória também ocupou espaço de destaque nos principais jornais.
O britânico The Guardian ressaltou a recuperação eleitoral de Lula após terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro. O veículo destacou que o presidente conseguiu uma virada sem precedentes na história das eleições presidenciais brasileiras desde o retorno da democracia.
Na Espanha, o El País apresentou a vitória como um freio ao avanço da extrema direita no Brasil. O jornal também analisou o impacto internacional do resultado, apontando Lula como uma figura de resistência política ao avanço de movimentos conservadores e à influência de Trump.
Na França, o Le Monde destacou a conquista do quarto mandato e a superação das expectativas eleitorais. O periódico também abordou as dificuldades registradas durante o dia de votação e o clima de tensão que marcou a disputa.
Já o alemão Der Spiegel enfatizou a decisão dos brasileiros de manter Lula na Presidência, aos 80 anos, enquanto o italiano Corriere della Sera repercutiu a votação apertada e os acontecimentos do segundo turno.
Jornais argentinos destacam derrota de Flávio Bolsonaro
Na América Latina, a repercussão foi especialmente significativa na Argentina, onde os principais jornais acompanharam a disputa brasileira.
O Clarín destacou a virada de Lula e a conquista de um quarto mandato presidencial. O jornal também ressaltou a diferença de mais de três pontos percentuais entre o petista e Flávio Bolsonaro.
O La Nación classificou o resultado como uma reviravolta impressionante, enfatizando que Lula conseguiu superar o adversário depois de terminar o primeiro turno em segundo lugar.
A cobertura argentina também abordou as consequências da vitória para as relações diplomáticas entre Brasília e Buenos Aires, especialmente diante das diferenças políticas entre Lula e o presidente argentino Javier Milei, que manifestou apoio a Flávio Bolsonaro durante a campanha.
Quarto mandato coloca Lula novamente na história
A repercussão internacional também destacou a longevidade política do presidente brasileiro, que chegou ao quarto mandato após uma trajetória marcada por derrotas eleitorais, duas presidências consecutivas entre 2003 e 2010 e o retorno ao Palácio do Planalto em 2023.
Lula foi eleito presidente pela primeira vez em 2002, reeleito em 2006 e voltou a vencer em 2022, quando derrotou Jair Bolsonaro. Agora, em 2026, superou Flávio Bolsonaro e garantiu a permanência no cargo até 2030.
A rede britânica BBC destacou o caráter histórico da quarta vitória, enquanto a Al Jazeera, do Catar, ressaltou a disputa apertada e a confirmação do resultado pela Justiça Eleitoral brasileira.

