Por Fernanda Sabino
Os indicadores mais recentes da educação em Mossoró revelam um cenário de retrocesso ao longo da gestão do prefeito Allyson Bezerra, combinando queda no desempenho escolar, redução de matrículas e investimento abaixo do mínimo constitucional em momentos-chave da administração.
Dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostram que o município não apenas deixou de avançar, como regrediu em indicadores considerados estratégicos. Nos anos iniciais do ensino fundamental, Mossoró saiu de 5,9 em 2019, na gestão Rosalba Ciarlini, para 5,6 em 2023, já sob a gestão Allyson Bezerra. Nos anos finais, a queda foi ainda mais acentuada, passando de 4,7 para 4,3 no mesmo período.
A retração nos índices ocorre em paralelo a um cenário de fragilidade no financiamento da educação. Informações do Tribunal de Contas do Estado (TCE/RN) apontam que, em 2021, já sob a atual gestão, Mossoró registrou o menor investimento em educação da última década, com aplicação de apenas 19,16% dos recursos, abaixo do mínimo constitucional de 25%. O percentual representa descumprimento da exigência legal e marca o ponto mais crítico da série histórica recente.
O nível de aprendizado também apresentou queda no período analisado, reforçando o cenário de retrocesso na educação municipal. Nos anos iniciais do ensino fundamental, o índice caiu de 6,26 em 2019 para 5,9 em 2023. Já nos anos finais, a redução foi de 5,5 para 5,14 no mesmo intervalo, evidenciando perda de desempenho tanto na base quanto na etapa final da formação escolar.
Retrato da Educação em Mossoró
Dados do Censo Escolar 2025, compilados pela plataforma QEdu, apontam retração em etapas fundamentais da rede municipal de ensino de Mossoró. A pré-escola perdeu 431 matrículas entre 2020 e 2025, caindo de 4.498 para 4.067 alunos. No ensino fundamental, a redução também é evidente, com queda de 8.065 para 7.603 estudantes nos anos iniciais e de 4.753 para 4.370 nos anos finais. O detalhamento das séries mostra diminuição especialmente no 3º, 4º e 5º anos, além de recuo no 6º, 7º e 8º anos, indicando dificuldades na permanência e progressão dos alunos ao longo da trajetória escolar.
A retração na base da rede dialoga diretamente com a queda no desempenho educacional observada nos indicadores mais recentes. O cenário mais crítico aparece na Educação de Jovens e Adultos, que praticamente desapareceu, passando de 231 matrículas em 2020 para apenas 8 em 2025. Relatórios do Tribunal de Contas do Estado reforçam esse diagnóstico ao apontarem falhas administrativas e dificuldades na execução de políticas públicas no município. No conjunto, os dados indicam uma educação que perdeu alcance e desempenho nos últimos anos.





