Mesmo sem ter vivenciado o último título mundial da Seleção Brasileira, conquistado em 2002, a Geração Z continua mantendo viva uma das maiores tradições esportivas do país. À medida que o Brasil avança na Copa do Mundo, ruas decoradas, bandeiras nas janelas e reuniões entre amigos e familiares para assistir às partidas reforçam o clima de união que acompanha o torneio há décadas.
Um levantamento realizado pela Trope-se revela que 97% dos brasileiros nascidos entre 1997 e 2010 pretendem acompanhar a competição. O estudo também mostra que, embora o Brasil não esteja entre os principais favoritos ao título, 59% dos entrevistados afirmam apoiar a Seleção pelo simbolismo da representatividade histórica e pela identidade nacional.
Para Helington Costa, coordenador do curso de Psicologia da Estácio, o envolvimento dos jovens com a Copa do Mundo está diretamente ligado à construção da identidade coletiva. Segundo ele, mesmo sem terem acompanhado as grandes conquistas da Seleção, os integrantes da Geração Z cresceram cercados pelos símbolos e pelas tradições que envolvem o torneio.
“As pessoas constroem sua identidade não apenas pelas experiências que viveram, mas também pelas histórias, símbolos e tradições compartilhadas pela família e pela sociedade”, explica o especialista.
O psicólogo destaca ainda que o futebol desempenha um papel importante na integração social, especialmente em um contexto marcado pela intensa presença das tecnologias digitais.
“Quando milhões de pessoas vestem a mesma camisa e comemoram juntas, elas reforçam o senso de pertencimento. Para as novas gerações, isso é especialmente relevante porque elas vivem em um mundo muito conectado, mas também bastante individualizado”, afirma.
Além do aspecto cultural, Helington Costa ressalta que a Copa do Mundo continua despertando grande interesse por oferecer uma experiência coletiva difícil de ser reproduzida por outras formas de entretenimento. Para ele, a imprevisibilidade das partidas e a narrativa construída ao longo da competição mantêm o público emocionalmente envolvido.
“Durante a Copa, as pessoas interrompem a rotina para viver uma experiência coletiva. Esse compartilhamento de emoções fortalece vínculos sociais, aumenta a sensação de conexão e pode contribuir para reduzir a percepção de estresse”, pontua.
O especialista ressalta, no entanto, que o Mundial não resolve problemas emocionais, mas proporciona momentos de convivência e bem-estar que podem fazer diferença em uma sociedade cada vez mais acelerada.
Na avaliação do coordenador, a forma de torcer mudou, mas o sentimento permanece o mesmo. Se antes a comemoração acontecia principalmente nas ruas e arquibancadas, hoje ela também ganha espaço nas redes sociais, onde os jovens compartilham emoções em tempo real.
“Hoje, a torcida acontece tanto na arquibancada quanto nas redes sociais, mas o sentimento de pertencimento continua sendo o mesmo. Isso revela que algumas necessidades humanas permanecem constantes ao longo das gerações: o desejo de se conectar, de celebrar conquistas coletivas e de sentir que faz parte de algo maior”, conclui.

