O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é investigado em um novo inquérito da Polícia Federal (PF) por suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo sua relação com o advogado Willer Tomaz. O procedimento foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e distribuído, por sorteio, ao ministro Alexandre de Moraes. As informações foram reveladas neste domingo (18) pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Segundo reportagem do jornalista Aguirre Talento, o inquérito chegou ao Supremo há pelo menos uma semana. Com a abertura da nova investigação, Flávio passa a ser investigado em dois procedimentos em tramitação na Corte. O primeiro, sob relatoria do ministro André Mendonça, apura suspeitas envolvendo pedidos de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme Dark Horse.
A nova investigação teve origem em um inquérito conduzido pela Polícia Federal no Rio Grande do Sul, que apurava possíveis irregularidades envolvendo plataformas de pagamento digital e empresas do setor de apostas esportivas. Durante a análise dos materiais, os investigadores identificaram elementos que apontam uma relação próxima entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro.
De acordo com a PF, há indícios de que o advogado exerceria controle ou seria proprietário de fato da Rede Loto, primeira empresa de apostas esportivas a receber autorização estadual do governo do Rio de Janeiro para atuar no setor. Embora não apareça formalmente como sócio, Tomaz teria vínculos com os dois proprietários registrados da empresa.
A partir da quebra de sigilo de dados armazenados na nuvem do celular do advogado, os investigadores localizaram documentos e registros que indicam proximidade com o senador. Como Flávio Bolsonaro possui foro por prerrogativa de função, os elementos relacionados ao parlamentar foram encaminhados ao STF.
Em trecho da investigação reproduzido pelo Estadão, a Polícia Federal afirma que a análise dos dados revelou uma ampla rede de contatos mantida pelo advogado com autoridades e integrantes de diferentes instituições públicas.
“Entre os vínculos que merecem especial atenção está aquele relacionado ao senador Flávio Bolsonaro, cuja proximidade com o investigado aparece indicada nos elementos analisados”, registrou a PF.

Flávio aparece como “usuário master” de conta bancária
Entre os elementos identificados pela Polícia Federal estão registros de festas, encontros e reuniões envolvendo Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz, além de documentos pessoais do senador encontrados no armazenamento digital do advogado.
A investigação também menciona pagamentos de viagens ao parlamentar e uma possível ligação com uma conta bancária vinculada à empresa Alcazar Holding.
Segundo o Estadão, Flávio Bolsonaro aparece mencionado como “usuário master” da conta bancária da empresa. O vínculo havia sido revelado anteriormente pelo UOL e foi confirmado pelo jornal paulista.
Os investigadores buscam esclarecer a natureza dessa relação e verificar se existem operações financeiras que possam caracterizar irregularidades.
Advogado movimentou R$ 130 milhões em três meses
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi o volume de recursos movimentados em contas relacionadas a Willer Tomaz.
De acordo com a reportagem, a Polícia Federal identificou que uma das contas bancárias do advogado movimentou aproximadamente R$ 130 milhões entre março e maio de 2025, período de apenas três meses.
A corporação considera necessário aprofundar a análise sobre a origem e a destinação desses valores para esclarecer possíveis irregularidades financeiras.
O montante identificado não significa, por si só, que os recursos tenham sido movimentados por Flávio Bolsonaro ou que toda a quantia esteja relacionada a operações ilícitas.
Advogado também foi alvo de operação sobre fraudes no INSS
Willer Tomaz já havia sido alvo de uma operação de busca e apreensão em agosto deste ano, autorizada pelo ministro André Mendonça, no âmbito da Operação Sem Desconto.
Na ocasião, a Polícia Federal investigava suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de recursos envolvendo o senador Weverton Rocha (PDT-MA), em um desdobramento das apurações sobre irregularidades relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Flávio Bolsonaro não foi alvo daquela investigação.
O advogado também aparece em uma fotografia de março de 2025, divulgada anteriormente pelo jornal O Globo, ao lado de Flávio Bolsonaro e Weverton Rocha durante uma viagem à África do Sul.
Segundo inquérito amplia investigações sobre Flávio no STF
O novo procedimento representa mais uma frente de investigação envolvendo o candidato do PL à Presidência da República.
Além das suspeitas relacionadas ao advogado Willer Tomaz, Flávio Bolsonaro é investigado em outro inquérito que apura possíveis irregularidades em repasses financeiros associados ao projeto cinematográfico Dark Horse, sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Enquanto esse primeiro caso está sob responsabilidade de André Mendonça, a nova investigação será conduzida no STF sob relatoria de Alexandre de Moraes.
A abertura do inquérito ocorre a uma semana do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, quando Flávio Bolsonaro enfrentará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Procuradas pelo Estadão, as defesas de Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz não haviam se manifestado até a publicação da reportagem.

