Pelo menos 20 pessoas morreram e 32 ficaram feridas após forças dos Estados Unidos e da Arábia Saudita realizarem ataques conjuntos contra instalações de logística e armamento no Iraque ligadas ao Irã, segundo um comunicado divulgado no Telegram pelas FMP (Forças de Mobilização Popular).
Os ataques tiveram como alvo instalações da FMP nas províncias de Bagdá, Wasit, Nínive, Basra, Kirkuk, Karbala e Diyala, informou a FMP, causando danos de diferentes graus a vários quartéis-generais, veículos e equipamentos militares.
Em um comunicado anterior nas redes sociais, a 30ª Brigada do grupo afirmou que sete ataques aéreos atingiram locais estratégicos em Nínive, região no norte do Iraque, por volta das 3h20 da manhã, horário local, matando dez pessoas e ferindo seis.
Em resposta aos ataques, o primeiro-ministro iraquiano, Ali Falih Al-Zaidi, convocou uma reunião de emergência do Conselho Ministerial de Segurança Nacional para quarta-feira (29), segundo um comunicado de seu gabinete.
“O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) e as Forças Armadas da Arábia Saudita realizaram ataques de precisão no Iraque, em 28 de julho, contra terroristas alinhados ao Irã que foram orientados pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) a atacar forças americanas e a infraestrutura energética saudita”, afirmou o CENTCOM em um comunicado.
A Arábia Saudita também confirmou os ataques em coordenação com o Comando Central dos EUA.
O Ministério da Defesa saudita afirmou ainda que o país não busca uma escalada do conflito, mas responderá a qualquer agressão.
Retomada de ataques
Os bombardeios americanos são os primeiros ataques aéreos no Oriente Médio desde a suspensão da ofensiva na semana passada, enquanto Teerã rejeitou um plano de Omã para gerenciar o Estreito de Ormuz.
O Irã afirmou ter disparado contra navios no estreito e contra bases americanas na Jordânia, e os preços do petróleo voltaram a subir, à medida que a retomada dos combates e os reveses diplomáticos sinalizam que não há um fim próximo para a guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel em fevereiro.
Washington e Riad disseram ter atacado conjuntamente grupos armados apoiados pelo Irã no Iraque em retaliação aos ataques com drones contra alvos petrolíferos sauditas.
As Forças de Mobilização Popular do Iraque são poderosos grupos paramilitares apoiados por Teerã e incorporados às forças de segurança formais iraquianas.
Foi a primeira grande ação militar dos EUA no Oriente Médio desde a última sexta-feira, quando o presidente Donald Trump suspendeu abruptamente uma intensa campanha de bombardeios após 13 dias, tendo sido aconselhado por comandantes de que a estratégia havia chegado ao fim.
Expansão da guerra
Os ataques conjuntos potencialmente ampliam o conflito, arrastando a Arábia Saudita, de maioria sunita, para o combate contra grupos paramilitares xiitas apoiados pelo Irã em uma nova frente.
Foi a primeira vez durante a guerra que a Arábia Saudita declarou publicamente sua participação em ataques conjuntos ao lado dos Estados Unidos.
O governo iraquiano, liderado por xiitas e um dos poucos no mundo a manter laços militares e diplomáticos estreitos tanto com o Irã quanto com os Estados Unidos, convocou uma reunião de emergência.
Washington há muito tempo pressiona o governo de Bagdá a reprimir os paramilitares apoiados pelo Irã, mas as tentativas anteriores nesse sentido provocaram agitação interna.
A Arábia Saudita também foi arrastada para o conflito em outra frente, com o movimento Houthi, alinhado ao Irã, no Iêmen, anunciando um bloqueio às exportações de petróleo sauditas no Mar Vermelho na semana passada e atacando navios e instalações petrolíferas.
Horas antes de lançar os ataques conjuntos com a Arábia Saudita contra o Iraque, os militares dos EUA disseram que suas defesas aéreas impediram um ataque surpresa iraniano contra tropas americanas na região.
Os militares da Jordânia disseram que suas defesas aéreas interceptaram e abateram cinco mísseis iranianos. Três dos quatro militares americanos mortos neste mês foram mortos na Jordânia, onde as bases americanas se tornaram alvos prioritários do Irã.
A Guarda Revolucionária do Irã disse ter disparado vários mísseis balísticos contra instalações militares americanas na Jordânia e atingido três petroleiros que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz por uma rota não autorizada.
*Com informações de CNN

