A Polícia Federal havia identificado, em fevereiro deste ano, uma frente de investigação envolvendo cerca de R$ 8,5 bilhões em créditos relacionados a precatórios de interesse do Banco Master. Segundo o ICL Notícias, os investigadores registraram a necessidade de aprofundar a análise sobre o caso, mas essa linha não avançou de forma equivalente após André Mendonça assumir a relatoria das investigações no Supremo Tribunal Federal (STF).
O levantamento da PF fazia parte de um relatório de 196 páginas, concluído em 9 de fevereiro por quatro delegados. Entre os pontos analisados estava o processo da Destilaria Alcídia no STF, considerado relevante para uma carteira de mais de R$ 10 bilhões em precatórios que poderia ser afetada pelo entendimento adotado no julgamento.
De acordo com os documentos citados pelo ICL Notícias, uma mensagem encontrada no celular de Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, mostrava o interesse da instituição no processo. André Kruschewsky, que ocupava o cargo de diretor jurídico do banco, teria informado a Vorcaro que o processo poderia servir como referência para outros casos.
Ao concluir o relatório, os investigadores apontaram que as informações relacionadas aos precatórios “demandam aprofundamento analítico”. A reportagem afirma que essa indicação representava uma frente ainda incompleta da investigação.
Outra frente da investigação
Meses depois, em agosto, Mendonça determinou que a Polícia Federal aprofundasse a análise de outro conjunto de mensagens extraídas do celular de Vorcaro. A decisão, tomada em 24 de agosto, estabeleceu prazo de 72 horas para que os investigadores identificassem pessoas relacionadas às mensagens e buscassem outras comunicações com os mesmos interlocutores.
Segundo o ICL Notícias, a análise levou a conversas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Três dias após a determinação de Mendonça, em 27 de agosto, a PF apresentou um relatório de 218 páginas com os resultados da análise. A corporação registrou que o trabalho havia sido realizado dentro das determinações estabelecidas pelo relator e que não se tratava de uma análise exaustiva de todo o conteúdo do celular.
A diferença entre as duas frentes está no foco dado aos documentos. Enquanto o relatório de fevereiro apontava a necessidade de aprofundar informações sobre os precatórios, a determinação de agosto estabeleceu uma análise específica de mensagens, que posteriormente resultou em informações envolvendo Moraes.
Precatórios e contratos
O ICL também aponta que documentos relacionados ao caso indicam um contrato de honorários de até R$ 427 milhões para atuação em 12 processos envolvendo créditos de interesse de Vorcaro. Os processos somavam aproximadamente R$ 8,5 bilhões.
O escritório citado no contrato era ligado a Camilla Ramos, mulher do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Mensagens encontradas no celular de Vorcaro também fazem referência à chamada “Turma do KN”, em alusão ao ministro Kassio Nunes Marques.
Nunes Marques afirma que nunca trocou mensagens com Vorcaro e que nunca pediu benefícios ao banqueiro. Newton Ramos também declarou que não julgou causas de interesse do Banco Master e que se considera impedido em processos envolvendo familiares.
O processo da Destilaria Alcídia também aparece na documentação. Segundo a reportagem, Nunes Marques havia declarado impedimento, mas posteriormente retirou o registro e participou do julgamento. Em setembro, pediu vista do processo e, em outubro, integrou a maioria que rejeitou um recurso da União.
A PF não estabeleceu o significado de determinadas mensagens encontradas no celular de Vorcaro e que os envolvidos contestam interpretações que associem suas atuações a interesses do banqueiro.

