Uma disputa pelo uso do tradicional número 1313 nas urnas provocou um novo embate interno no Partido dos Trabalhadores (PT) e acirrou a crise entre diferentes grupos da legenda no Rio de Janeiro, às vésperas do início oficial da campanha eleitoral de 2026.
O conflito envolve o deputado federal Lindbergh Farias e o ex-presidente da Embratur Marcelo Freixo, que recorreram à Executiva Nacional do PT para contestar a decisão do diretório estadual de reservar o número ao presidente estadual do partido, Diego Quaquá, filho do prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá.
O número 1313 é considerado um dos mais simbólicos da legenda por fazer referência ao número histórico do PT nas urnas. Nas eleições de 2022, ele foi utilizado por Washington Quaquá em sua candidatura à Câmara dos Deputados. Segundo Lindbergh e Freixo, a distribuição deveria seguir critérios estabelecidos pela direção nacional do partido.
Os dois dirigentes alegam que a Secretaria Nacional de Organização orientou que a definição dos números observasse regras como a prioridade para quem já utilizou determinada numeração em eleições anteriores e, na ausência desse critério, a busca de consenso ou a realização de sorteio entre os interessados. Na representação encaminhada à Executiva Nacional, eles afirmam que esses procedimentos não foram respeitados pelo diretório fluminense.
Em manifestação divulgada pelos parlamentares, a decisão foi classificada como “arbitrária” e contrária às orientações nacionais da legenda. O documento também afirma que o PT “não é um partido de caciques” e critica o que considera favorecimento de interesses familiares na distribuição dos números de urna.
A disputa ocorre em um momento de tensão interna no PT do Rio de Janeiro, onde grupos liderados por Lindbergh Farias e Washington Quaquá divergem sobre os rumos da legenda e a composição das candidaturas para as eleições deste ano. Segundo informações divulgadas pela imprensa, Lindbergh e Freixo também avaliam recorrer à Justiça caso a decisão da direção estadual seja mantida.
Até o momento, a Executiva Nacional do PT não anunciou uma decisão sobre o recurso apresentado pelos dois dirigentes. O estatuto do partido prevê que a direção nacional pode analisar recursos relacionados às decisões dos diretórios estaduais.

