A SAGA DE LULA
Se a história política brasileira fosse um roteiro de ficção submetido a uma produtora de ponta, seria descartada por “excesso de absurdo”. Afinal, nenhum roteirista ousaria criar um personagem que sai do interior castigado de Pernambuco, desembarca no chão de fábrica do ABC paulista, vira líder sindical, deputado federal, chega ao topo do Planalto, despenca para uma cela de prisão e, em um passe de mágica institucional, ressurge para abocanhar um inédito mandato presidencial. Quer a oposição chore, estribuche ou rasgue as vestes, Luiz Inácio Lula da Silva provou que é a grande fenômeno da política latino-americana.
A odisseia do garoto que trocou a poeira nordestina pelos holofotes de São Paulo já seria material suficiente para discursos emotivos e biografias adocicadas. Virou o operário padrão, o sindicalista de barba icônica e o fundador de partido que peitou a ditadura. Chegar à Presidência da República parecia o ápice do “sonho americano” em versão tupiniquim. Mas o enredo brasileiro gosta de melodrama com pitadas de suspense policial.
Veio a era dos escândalos. O Mensalão foi apenas um aperitivo para o prato principal: a Operação Lava Jato e o mega esquema de desvios que transformou estatais como a Petrobras em verdadeiros caixas eletrônicos da governabilidade. O resultado dessa sinfonia de aditivos e empreiteiras foi o ápice do drama: 580 dias de reclusão em Curitiba. Para qualquer mortal da política, seria o carimbo definitivo de aposentadoria e falência de imagem.
Mas no Brasil, o desfecho de hoje é apenas uma reviravolta de amanhã. Entra em cena o Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma daquelas manobras jurídicas que até hoje deixam juristas perplexos e analistas a coçar a cabeça sobre as reais motivações de bastidor, anulam-se condenações, reescrevem-se entendimentos sobre competências territoriais e, num piscar de olhos, o ex-detento retoma a elegibilidade com folha corrida zerada para a disputa eleitoral.
Quando a maioria dos analistas e adversários já preconizava a sua certidão de óbito político e comemorava o fim da era petista, Lula realizou o inimaginável: venceu novamente nas urnas.
Uma façanha absolutamente inédita no país, capaz de deixar os livros de história em curto-circuito.
Do outro lado, a reação do adversário derrotado foi o espetáculo à parte. Entre declarações inflamadas e recusas veladas em aceitar o resultado, encontrou-se o culpado perfeito: a atuação firme de um ministro do STF — que, para temperar ainda mais a ironia, carrega no currículo o passado de advogado do próprio PT.
Conspirações à parte, o fato é incontestável: amado desmedidamente por uns, odiado visceralmente por outros, Lula desafia todas as leis da gravidade política. Entre milagres jurídicos, carisma inabalável e a incapacidade dos adversários em decifrar o seu apelo popular, o menino de Caetés continua ditando o ritmo do jogo. Gostem ou não os seus detratores, o Brasil é pequeno demais para o tamanho do seu fenômeno.
ROGÉRIO
O nosso conterrâneo potiguar, senador Rogério Marinho, coordenador da campanha do senador Flávio Bolsonaro a presidência da República, vai ter que usar muito de sua frieza para explicar a fuga do seu companheiro de partido para o exterior.
FUGA
Logo cedo, na manhã de ontem, terça-feira, quando surgiram as primeiras informações de que Flávio Bolsonaro teria fugido do país, Rogério Marinho desmentiu o ocorrido. O nosso conterrâneo não tinha conhecimento da fuga ou estaria encobrindo o fujão?
REVELAÇÃO
Um leitor assíduo da coluna informa que, apesar de adversárias em outros tempos, a ex-governadora Rosalba Ciarlini e sua família votaram em Larissa Rosado, como vice-governadora de Cadu de Lula.
REVELAÇÃO 2
Na verdade, segundo o leitor, já existia laços de Cadu de Lula com Rosalba desde que ela assumiu a governadoria, pois o Carlos Eduardo Xavier já estava de servidor de carreira na Secretaria da Fazenda.
REVELAÇÃO 3
Quando de seu último mandato como prefeita de Mossoró, Rosalba Ciarlini, através de seu marido Carlos Augusto Rosado, convidou Cadu, o Carlos Eduardo Xavier, fazer parte do secretariado, mas o convite não foi aceito. Rosalba também tem um de seus filhos que atende por Cadu.
TRÔCO
Nessa eleição, Rosalba Ciarlini e familiares deram o “troco” a Alysson Bezerra, votando em Cadu de Lula e Larissa e contribuíram para derrotar o “menino pobre do interior” que já estava com tudo pronto para comemorar a vitória que não veio.
VIVALDINO
Mas Alysson Bezerra foi muito mais esperto que muitos políticos com quilômetros de estradas em suas sagas na política nas terras de Câmara Cascudo.
VIVALDINO 2
Além de disputar a eleição para o governo do estado com apoios dos caciques da política tupiniquim, o ex-prefeito de Mossoró fez sua carta de seguro: lançou e elegeu sua esposa, “Cynthia de Alysson” a deputada estadual.

