OS “MILAGRES” PARA A REELEIÇÃO
Há uma máxima implacável na política tupiniquim: não existe ateu quando o avião entra em pane, tampouco existe austeridade fiscal quando a popularidade desce a ladeira e a urna eletrônica se aproxima. O Palácio do Planalto, sob a batuta de Luiz Inácio Lula da Silva, protagoniza nestes estertores de 2026 um espetáculo que oscila entre a comédia pastelão e a mais refinada cara de pau institucional.
Depois de quase quatro anos em marcha lenta, administrando o país com a solenidade de quem contempla a grama crescer, o mandatário subitamente descobriu o botão da salvação nacional. Se durante todo o mandato o planejamento brilhou pela mais absoluta ausência, a poucas semanas do pleito a Esplanada dos Ministérios virou um parque temático da caridade oficial.
A amnésia calculada do petismo seria cômica se a conta não fosse salgada. Quem não se lembra do início da gestão, quando imperava a complacência romântica e quase sociológica com pequenos delitos — afinal, segundo o próprio guia genial dos povos, tratava-se apenas de “um jovem roubando um celular para tomar uma cervejinha”? Pois bem: o mesmo governo que flertava com a indulgência do furto de oportunidade agora acorda assustado, em pânico diante das pesquisas desfavoráveis, e quer improvisar na undécima hora a tutela da segurança e o acionamento emergencial das forças institucionais e de defesa para combater o crime organizado. Do chope despretensioso à cruzada contra o narcotráfico na reta final, a distância percorrida não foi moral; foi puramente eleitoral.
Não há como dourar a pílula nem temperar a hipocrisia: ou o governo vem a público confessar que sofreu de incompetência crônica e total falta de planejamento por 44 meses — incapaz de antecipar o óbvio —, ou assume, sem meias-palavras, a má-fé deliberada de quem estocou benesses na gaveta para usá-las, nos 45 do segundo tempo, como moeda de troca pelo voto de quem já não aguenta mais promessas. Com exceção pontual da desoneração dos combustíveis, por que diabos tudo isso não foi executado ao longo do mandato?
O tal “pacote de bondades” de 2026 é um festival de malabarismo para estancar a sangria da rejeição popular. Teve de tudo no feirão da reeleição: reajustes repentinos de benefícios sociais, reedições bombadas de programas de refinanciamento como o Desenrola, o “Gás do Povo”, o “Luz do Povo”, o perdão bilionário de dívidas para microempreendedores individuais com o afago do Prospera MEI e até o recuo constrangido na famigerada “taxa das blusinhas”. Foi tanto socorro inventado a toque de caixa que faltou apenas prometer picanha com selo estatal entregue por drone.
Essa súbita conversão à generosidade não passa de atestado de culpa. Mostra que o governo sabe, melhor do que ninguém, o quão reprovado está na boca do povo. Lula abriu o cofre não porque planejou um país melhor, mas porque precisa urgentemente comprar fôlego para tapar o buraco cavado pela sua própria ineficiência. Resta saber se o eleitor, escolado por décadas de ilusionismo barato, aceitará ser tratado como plateia de um truque de mágica tão grosseiro.
ORGIA
Em seu editorial de ontem, o jornal Estado de São Paulo, que já serviu até de referência nas publicidades políticas do PT para vincular Flávio Bolsonaro ao setor miliciano, abriu a manchete: “A Orgia eleitoral de Lula”.
ORGIA 2
Na abertura, o editorial, o Estadão faz a chamada: “O perdão de dívidas de microempreendedores individuais foi só a mais recente das medidas do petista para comprar votos e que já somam espantosos R$ 354 bilhões. E não vai parar por aí”.
O GLOBO
Já o jornal carioca O Globo, trouxe a chamada em seu editorial: “Surto eleitoreiro de Lula não parece ter fim”.
MDB
O presidente estadual do MDB no Rio Grande do Norte, vice-governador Walter Alves foi coerente em decidir o seu apoio ao presidenciável Flávio Bolsonaro.
COERÊNCIA
Ora, Waltinho rompeu com o Partido dos Trabalhadores (PT) ao recusar assumir a governadoria. Com o seu rompimento político, o presidente estadual do MDB decidiu por apoiar a candidatura de Alysson Bezerra (União Brasil).
COERÊNCIA 2
Agora, no segundo turno, seria oportunismo de Walter Alves seguir o mesmo caminho dos demais diretórios nordestinos, somente pela razão de que Lula será o candidato mais votado na região.
BALEIA
Nessa situação, o mínimo que Walter Alves poderia fazer seria ficar neutro na eleição presidencial, mas ele preferiu ser coerente e prestou solidariedade ao presidente nacional do MDB, deputado Baleia Rossi. Vai mesmo de Flávio Bolsonaro.
SENADO
Informação de dentro de sua campanha dá conta que Alysson Bezerra centrou todos os esforços em eleger a sua esposa “Cynthia de Alysson” a deputada estadual e esqueceu a candidatura de Zenaide Maia ao Senado, na Capital do Oeste.

