AS NARRATIVAS DA SOBREVIVÊNCIA ELEITORAL
É comovente constatar que o Brasil encontrou a sua harmonia perfeita. Esquerda e direita finalmente selaram um pacto de coexistência pacífica baseado no princípio irrefutável de que o país é mero detalhe perto da sobrevivência eleitoral de suas respectivas realezas.Do lado de cá, com a elegância de quem já vestiu a camisa vermelha com fervor messiânico, temos o bom e velho lulismo. Afinal, em quase vinte anos de mandatos intercalados e coligações com tudo o que há de mais sagaz no balcão de negócios da República, a esquerda fez pelo desenvolvimento nacional o equivalente a uma aula de culinária à distância ministrada por um robô mudo.
Erradicar os problemas estruturais? Para quê? Sem pobreza, miséria e desigualdade, como é que os salvadores da pátria farão seus discursos comoventes com lágrimas nos olhos?
E quando o assunto é o cardápio de inovações financeiras da esquerda, o histórico é de fazer inveja a qualquer multinacional do crime. Como esquecer o épico Mensalão de 2005? Um arranjo fofo em que a cúpula petista, sob a batuta de nomes como José Dirceu, descobriu que a melhor forma de aprovar projetos no Congresso era distribuindo mesadas polpudas a parlamentares com dinheiro público e empréstimos criativos do Banco Rural. Anos mais tarde, veio a apoteótica Operação Lava Jato, transformando a Petrobras e grandes estatais em caixas eletrônicos particulares de empreiteiras e partidos, resultando num festival de delações, desvios bilionários e passagens gratuitas pela área prisional.
Em contrapartida, olhemos para a direita iluminada pelo clã bolsonarista, tendo o distinto senador Flávio Bolsonaro como estandarte da moralidade de palanque. É uma verdadeira aula de como transformar o erário em patrimônio pessoal – como diria o jornalista Tulio Lemos – “com a sutileza de um elefante bêbado numa loja de cristais”, literalmente. Afinal, quem não se lembra da memorável fase das “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Rio, onde assessores generosos devolviam pedaços suculentos de seus salários, quitando boletos em dinheiro vivo com a naturalidade de quem paga uma coxinha na padaria? Isso sem falar na modesta mansão de R$ 6 milhões em Brasília, financiada com aquela taxa de camaradagem que faria qualquer trabalhador chorar de emoção.
Mas não pensem que a criatividade se restringe a uma única facção. Para fazer frente aos rivais, o ecossistema político atual continua nos presenteando com enredos dignos de antologia policial, entre cartões corporativos blindados por sigilos seculares e uma inesgotável vocação para transformar o Estado em balneário privativo.
A grande beleza dessa polarização simbiótica é que Lula e o clã Bolsonaro se merecem tanto quanto duas metades de uma laranja podre. Eles precisam um do outro como o oxigênio precisa da combustão. Enquanto os devotos discutem se o país afundou por culpa do “comunismo internacional” ou do “fascismo de palanque”, os líderes desfilam em tapetes vermelhos regados a escândalos de primeiríssima linha.
o melhor acontece nos bastidores: a cada inquérito da Polícia Federal que atinge um filhote da esquerda, a turma da direita comemora como final de Copa do Mundo; inversamente, cada denúncia de lavagem de dinheiro ou mansão comprada em espécie que recai sobre a direita faz a militância progressista dançar o vira-vira de alegria nas redes sociais. É uma festa cívica onde o troféu nunca muda de mãos, o povo paga o buffet e os únicos derrotados, vejam só, somos todos nós.
Brindemos à hipocrisia, porque o espetáculo circense não pode parar!
PESCADORES
A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte aprovou nessa terça-feira, 11, o Projeto de Lei em que estabelece diretrizes e normas voltadas para a atenção e o cuidado à saúde de pescadores e marisqueiras que atuam de forma artesanal no estado.
MARISQUEIRAS
O objetivo principal do PL 645/2025 é o de criar diretrizes de atenção e cuidado integral à saúde voltadas para as especialidades e necessidades de pescadores e marisqueiras que atuam artesanalmente. A matéria segue os trâmites no legislativo até a sua conclusão.
STYVENSON
A última pesquisa MetaData/98FM, divulgada ontem, 11, mostra que o senador Styvenson se mantém líder no primeiro voto, mas ele perdeu a liderança que também mantinha no segundo voto para o Senado Federal.
STYVENSON 2
Como o senador Styvenson também perdeu pontos entre os eleitores do primeiro voto, há interpretação de que o fato de ter escolhido sua irmã como sua primeira suplente, ele tenha perdido o tom de seu discurso anterior e por isso mesmo está perdendo eleitores. Ainda estamos há 45 dias da eleição.
LIDERANÇA
Na mesma pesquisa MetaData/Grupo Dial, o presidente Lula dispara em primeiro lugar com 54,6% na preferência do eleitorado potiguar, enquanto Flávio Bolsonaro amarga apenas 23,4%. Capote grande.

