MICHELLE EXPÕE FRAGILIDADE DE FLÁVIO
A política brasileira assiste, entre o espanto e o riso contido, a um autêntico drama de costumes que arranha os planos majoritários da direita. O recente racha público na família Bolsonaro, protagonizado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e pelo senador Flávio Bolsonaro, ultrapassa as fronteiras da desavença doméstica para escancarar o despreparo e a falta de tato político do atual presidenciável do Partido Liberal (PL).
O estopim da crise se deu quando Michelle expôs nas redes sociais ter sido “desrespeitada, humilhada e maltratada” pelo enteado em uma conversa telefônica sobre os rumos partidários. As declarações da presidente do PL Mulher ecoam em um momento histórico em que o país vive a inconteste e necessária valorização do papel da mulher no cotidiano e nos espaços de poder. Ao tentar silenciar a madrasta sob o pretexto de que ela “não entendia de política”, Flávio não apenas subestimou a força de uma das principais “cabos eleitorais” do bolsonarismo, mas demonstrou profundo anacronismo frente às dinâmicas sociais modernas.
Se a denúncia de Michelle foi contundente, a resposta de Flávio Bolsonaro conseguiu ser ainda pior. Em uma mensagem protocolar e esquiva de apenas 48 palavras, o parlamentar limitou-se a um vago “se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas”. O uso do condicional “se” joga uma cortina de fumaça sobre a própria conduta e escancara flagrante falta de sensibilidade para lidar com temas dessa magnitude, sobretudo no trato com as mulheres. Uma tentativa infeliz de emenda que saiu pior que o soneto.
Esse enredo hilário, que oscila entre a tragédia política e a comédia pastelão, acaba por expor as vísceras de um PL fraturado por disputas internas de ego e herança política. O episódio deixa nítida a fragilidade da candidatura de Flávio. Ao se enredar em um conflito paroquial e responder com tamanho desdém à própria madrasta, o senador projeta a imagem de um líder incapaz de conciliar o próprio teto, quanto mais os interesses de uma nação. Resta saber se o eleitorado irá digerir esse misto de grosseria e amadorismo disfarçado de pedido de desculpas.
ROGÉRIO
Quem anda “estrebuchando” por conta da massificação da propaganda do governo Lula (PT) nos vários veículos de comunicação do Brasil inteiro é o senador Rogério Marinho (PL).
AÇÃO
Rogério alega que o governo de Lula estourou o orçamento com publicidade legal, no ano eleitoral, em quase R$ 168 milhões. O senador potiguar protocolou representações no Tribunal de Contas da União (TCU) e na Procuradoria Geral da República (PGR) por supostas irregularidades em gastos com publicidade.
PRAZO
Enquanto aguarda decisão de suas representações junto ao TCU e PGR, o senador Rogério Marinho vai ter que aturar a massificação da publicidade do governo Lula até o próximo sábado, dia 4 de julho.
INVESTIMENTOS
A direção da Neoenergia Cosern vai se reunir com a imprensa na próxima quinta-feira,2, para anunciar seus investimentos no Rio Grande do Norte no período de 2026 a 2030.
ELEIÇÃO
O pré-candidato ao governo Álvaro Dias (PL) vai ter que criar coragem e dizer ao senador Rogério Marinho que sua campanha terá que se desassociar da campanha nacional de Flávio Bolsonaro (PL), como vem fazendo outros governadores da região Nordeste.
DESASSOCIAÇÃO
Os candidatos ao governo nos estados da Bahia, Ceará, Maranhão e Pernambuco já tomaram essa iniciativa de estadualizar a campanha eleitoral, tendo em vista o favoritismo do presidente Lula na região, conforme indicam todas as pesquisas já divulgadas.
DESASSOCIAÇÃO 2
ACM Neto (União Brasil), Ciro Gomes (PSDB), Eduardo Braide (PSD) e Raquel Lyra (PSD) candidatos ao governo, respectivamente, da Bahia, Ceará, Maranhão e Pernambuco já tomaram a iniciativa de desassociar suas campanhas da esfera federal.
ATUALIDADE
Os quatro candidatos, segundo pesquisas, estão à frente de seus adversários do Partido dos Trabalhadores (PT), embora nessas mesmas pesquisas o atual presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva está sempre à frente do seu principal adversário Flávio Bolsonaro (PL).
CAINDO
Apesar desse favoritismo em toda a região Nordeste, na última pesquisa BTG/NEXUS, publicada ontem, segunda-feira, 29, Lula caiu 5 pontos no Nordeste, depois da divulgação do envolvimento do senador Jaques Wagner com Daniel Vorcaro.
QUEDA
Em 14/06, a pesquisa BTG/NEXUS, elaborada na região Nordeste, indicava Lula com 66% das intenções de votos, enquanto Flávio Bolsonaro tinha 28%. Na pesquisa divulgada ontem, do mesmo Instituto, Lula caiu para 61% e Flávio Bolsonaro aumentava para 30%, mesmo depois da publicação do VT de Michelle Bolsonaro.

