A CORAGEM DE GOVERNAR COM REMÉDIO AMARGO
O Rio Grande do Norte encontra-se em uma encruzilhada histórica, e o tom das pré-campanhas ao Governo do Estado sinaliza que o tempo das promessas fáceis deveria ter ficado no passado. A pergunta que ecoa nos corredores políticos e, principalmente, nas mesas das famílias potiguares é direta: a população quer o discurso que afaga os ouvidos ou a verdade que dói no bolso, mas salva o futuro?
Atualmente, o RN convive com uma realidade fiscal sufocante. Não se trata apenas de números frios em um balanço contábil, mas de uma crise que sangra no cotidiano. Como sustentar um Estado que chega ao extremo de atrasar o repasse de empréstimos consignados aos bancos — valores que já foram devidamente descontados do contracheque do funcionalismo? Esse cenário de “pedalada” social é o sintoma mais agudo de uma máquina que parou de girar.
Os candidatos que se apresentam ao pleito não podem mais se limitar ao papel de críticos da gestão atual. Criticar é o caminho mais curto, mas apontar soluções viáveis é o desafio da estatura estadista. O eleitorado precisa questionar: quais medidas drásticas serão tomadas para enfrentar o déficit da Previdência Estadual? Como garantir que os aumentos salariais não precisem ser fatiados em seis parcelas, como ocorreu recentemente, frustrando a expectativa de quem trabalha?
A saúde pública agoniza sob o peso de dívidas com fornecedores, um efeito dominó que começa no atraso de pagamentos e termina na falta de insumos nos hospitais. Da mesma forma, a situação dos funcionários terceirizados, frequentemente com salários atrasados, expõe uma gestão de crise que apenas “apaga incêndios”.
O desenvolvimento do Rio Grande do Norte exige que o próximo gestor não se esconda atrás do retrovisor, lamentando heranças malditas de administrações anteriores. O “remédio amargo” — que envolve cortes, austeridade e uma reestruturação profunda da máquina pública — pode afetar o funcionamento imediato do governo, mas é a única via para colocar o estado nos trilhos.
Nesta coluna, provocamos o leitor e o eleitor: é hora de exigir dos candidatos não apenas o “o quê”, mas o “como”. O Rio Grande do Norte não suporta mais o paliativo; ele exige a cura, por mais dura que a terapia possa ser. O voto consciente deste ano será aquele que escolher a coragem em vez da conveniência.
AJUSTES
Uma das missões mais difíceis para o novo gestor estadual, a partir de janeiro/27 será a estabelecer parcerias mais profundas com os poderes legislativo, judiciário e também a promotoria pública no sentido de revisar temporariamente seus respectivos duodécimos. O Rio Grande do Norte clama. E o sacrifício terá que ser de todos.
SINDICATOS
Talvez a missão mais difícil do novo governante, a partir de janeiro de 2027, será o diálogo com os sindicatos, pois dificilmente seus representantes entenderão os remédios amargos que seus associados terão que experimentar. Mas se faz necessário tê-los como aliados.
CORAGEM
O novo governante terá que ter muita coragem para fazer os cortes necessários e posicionar o RN em estado de sobrevivência para, a partir daí, haver estímulo para criar alternativas e alcançar o seu desenvolvimento.
CORAGEM 2
Até alcançar esse estágio de “engatar” o desenvolvimento, o novo governante terá que administrar remédios amargos, com medidas até mesmo intolerantes. Terá que tomar essa iniciativa ou o Rio Grande do Norte irá sucumbir.
INICIO
E esses remédios amargos têm que ser aplicados logo no início da gestão, sem se preocupar com reeleição, para apresentar resultados a partir do terceiro ou no último ano de sua gestão. 2027 será o ano de menosprezar o retrovisor. Será o reinício de tudo. Se o novo gestor terá coragem para tanto, “aí são outros quinhentos”,,,
INTERVALO
No intervalo, entre a conclusão da eleição e sua posse, o novo governante já deve ter todo o esboço de seu projeto a ser executado e com ele em mãos se reunir com todos os deputados estaduais (não só com sua bancada) para pedir o apoio devido e necessário.
ELEITOR
O eleitorado e a população em geral devem tomar conhecimento prévio de todos os planos, de todas as tomadas de decisões, inclusive as mais infinitamente amargas, para salvar o Rio Grande do Norte. Com clareza, tudo deve ser explicado para conquistar o apoio de todos.
ESTADISTA
O novo governante não poderá ter comportamento de um político comum, afeito apenas a atender pedidos de correligionários insaciáveis, nem muito menos a elogios e tapinhas nas costas. Não deve estar preocupado com reeleição. Ele terá que assumir a missão de estadista.

