O ENIGMA DO DESENVOLVIMETO DO RN
O Rio Grande do Norte vive um paradoxo que desafia a lógica econômica e castiga a nossa realidade social. Somos, historicamente, o estado das “promessas de redenção”. Ao longo de décadas, ouvimos que a solução para o nosso atraso estava na próxima fronteira, no próximo ciclo. Já fomos a terra do sal, o gigante do petróleo em terra, o pomar da fruticultura e, mais recentemente, o porto seguro dos ventos que geram energia limpa. Mas a pergunta que a coluna CONVERSA LIVRE faz hoje é incômoda: por que, diante de tantas riquezas, o RN continua figurando na rabeira do desenvolvimento nordestino e brasileiro?
Não nos faltam recursos. O sol que nos aquece e o vento que sopra em nosso litoral são ativos cobiçados pelo mundo inteiro. Agora, falamos em hidrogênio verde, energia offshore e a retomada do petróleo e gás. Entretanto, a sensação é de que assistimos a um desfile de ciclos econômicos que enriquecem estatísticas de exportação, mas não transformam a vida do cidadão que depende do SUS, da escola pública ou da segurança nas ruas de Natal e do interior.
Será que nossos governantes estão, de fato, preparados para converter essas potencialidades em desenvolvimento real? O que vemos, infelizmente, é uma sucessão de gestões que parecem mais preocupadas com a próxima eleição do que com a próxima geração. O estado parece preso a um modelo de “economia de enclave”, onde a riqueza é produzida aqui, mas os lucros e a industrialização — o que gera emprego de qualidade e renda — transbordam para outros estados vizinhos. Enquanto o Ceará e a Paraíba avançam em infraestrutura e atração de investimentos estruturantes, o RN patina em entraves burocráticos e na falta de uma estratégia de longo prazo.
Este questionamento não é meramente retórico. Em outubro, iremos às urnas. É preciso que os candidatos ao governo e ao legislativo apresentem propostas que não sejam apenas peças de marketing eleitoreiro. Precisamos de um plano de estado que fundamente o crescimento na verticalização de nossas cadeias produtivas. Não podemos mais ser apenas exportadores de matéria-prima e importadores de soluções.
O desenvolvimento que buscamos não cairá do céu, nem virá apenas do vento ou do mar. Ele exige gestão eficiente, segurança jurídica e, acima de tudo, a coragem política de transformar ciclos temporários em pilares permanentes de justiça social e prosperidade econômica. O Rio Grande do Norte tem pressa de deixar de ser “o estado do futuro” para ser, finalmente, o estado do presente.
MUDO
Mesmo com toda a insistência dos veículos de comunicação alardeando sua candidatura para o Senado Federal, o empresário Flávio Rocha tem adotado uma mudez absoluta. Não há uma informação sequer assumida pelo empresário das Lojas Riachuelo e Confecções Guararapes.
SILÊNCIO
Segundo um amigo íntimo do empresário Flávio Rocha, “esse seu silêncio faz parte de uma estratégia para viabilizar a sua candidatura”. Mas o presidente estadual do Novo, Ronaldo Cunha Lima, está anunciando que o empresário irá promover uma grande manifestação no mês de maio, que começa amanhã.
CANDIDATURA
Flávio Rocha já foi deputado federal pelo RN em dois mandatos, participando da Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988. Exerceu seu último mandato até 1995. Portanto está afastado da vida pública há 20 anos. Mas quer voltar.
FRASE
Enquanto se fala no “torquilho” do governo Lula quanto às verbas destinadas para Natal, o secretário de planejamento da Prefeitura de Natal, Vagner Araujo faz uma avaliação da situação periclitante vivida pelo estado do RN e sapeca: “Quando o Estado fica em dificuldades financeiras, os municípios ficam órfãos”.
INCÔMODO
Legisladores do Partido dos Trabalhadores no RN se sentiram incomodados com a repercussão da notícia veiculada no Diário do RN sobre o travamento nas emendas parlamentares para Natal.
Várias obras na Capital estão praticamente paralisadas por conta da retenção dessas verbas federais.
SAMANDA
Quem estava ontem à tarde na ante sala do Chefe do Gabinete Civil da Presidência da República, em Brasilia, era a vereadora Samanda Alves (PT) em busca de solução para destravar as verbas das emendas parlamentares para obras da Prefeitura de Natal.
SAMANDA 2
Em vez de “brigar” com os números, com os fatos e com as repercussões sobre esse travamento das emendas federais para Natal, Samanda agiu diferentemente de parlamentares petistas e foi em busca de soluções para o problema. Está agindo corretamente.
ENGORDA
É real e tem justificativa a celeuma criada em torno da chamada Engorda de Ponta Negra. A oposição “pega no pé de Álvaro” com a afirmação de que o Tribunal de Contas da União – TCU está investigando irregularidades na obra. A Prefeitura de Natal diz que não foi acionada pelo TCU. E a celeuma continua.

