Por Elane Nascimento
O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, Cadu de Lula (PT), repercutiu o vídeo divulgado pelo Diário do RN na quinta-feira (24), que integra o conjunto de provas da Operação Mederi, da Polícia Federal. A gravação faz referência a uma mulher identificada como “Fátima”, apontada pela investigação como Maria de Fátima Dantas dos Santos.
O vídeo foi obtido a partir de uma escuta ambiental realizada por agentes federais no escritório da DISMED Distribuidora e integra o material reunido pela Polícia Federal na investigação que apura supostas irregularidades em contratos de fornecimento de medicamentos para a Prefeitura de Mossoró durante a gestão do então prefeito e atual candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra (União Brasil).
Maria de Fátima Dantas dos Santos exerce o cargo de coordenadora de Cerimônias da Secretaria Municipal de Cultura de Mossoró.
Ao comentar a menção ao nome “Fátima” na gravação, Cadu de Lula fez referência à governadora Fátima Bezerra (PT) e afirmou que a divulgação do vídeo permite que os eleitores acompanhem os fatos investigados.
“Era a grande questão que se perguntava, né, porque ele sempre me chama de Cadu de Fátima, mas todo mundo sabe quem é Fátima Bezerra: uma mulher honesta. A dele (a Fátima dele) está se revelando agora: é suspeita de ter recebido propina, está sendo investigada, assim como ele. Cada um tem a Fátima que merece, né?”, disse Cadu de Lula.
O candidato afirmou que a divulgação das informações ajuda a ampliar o conhecimento da população sobre os envolvidos na disputa eleitoral.
“Mas é bom que os fatos estão se tornando públicos, o povo do Rio Grande do Norte, cada vez mais, tendo consciência de quem é cada candidato, de em que eles estão envolvidos. Eu tenho muito orgulho de não ter nenhum envolvimento em processos desses, dessa natureza. E é importante que esses fatos venham à tona agora, antes do processo eleitoral, para que o povo conheça cada vez mais os candidatos e saiba o que está em risco nessa eleição do dia 4 de outubro”, afirmou.
Cadu de Lula também criticou possíveis prejuízos causados por desvios de recursos públicos e afirmou que a população é a principal afetada.
“Que o eleitor faça uma reflexão do que está em jogo: a honestidade é, sim, fundamental, porque a corrupção tira recurso público que deveria ser investido em segurança, saúde, educação e o desvio desse recurso acaba prejudicando diretamente a população. O principal prejudicado em desvios de corrupção é o povo. E o recurso, ao invés de ir para a saúde, está indo para o mundo político corrupto”, concluiu o candidato.
Vídeo integra investigação da Operação Mederi
O nome de “Fátima” aparece em um vídeo analisado pela Polícia Federal no qual os sócios da DISMED Distribuidora, Oseas Monthalggan Fernandes Costa e José Moabe Zacarias Soares, conversam sobre uma suposta divisão de valores relacionada a contratos de fornecimento de medicamentos ao município.
Na gravação, um dos empresários apresenta uma espécie de cálculo sobre a distribuição dos valores de uma ordem de compra de R$ 400 mil e menciona supostos repasses destinados a Allyson Bezerra e à mulher identificada como “Fátima”.
“Como é a matemática de Mossoró: Mossoró tem uma ordem de compra de R$ 400 mil, desses R$ 400, ele entrega R$ 200, tudo a preço de custo. Dos R$ 200, ele pega 30%, então aqui ele comeu R$ 60, fica R$ 140 para ele entregar 100%. Dos R$ 140, ele ganha R$ 70. R$ 70 com R$ 60, é meu, R$ 130; só que dos R$ 130, nós temos que pagar R$ 100 mil a Allyson e a Fátima. É 10% de Fátima e 15% de Allyson; só ficou R$ 30 mil para a empresa. ‘Tá’ aí o problema. Antigamente, a gente vendia R$ 400, nós ‘estava’ ganhando R$ 200; que é 100%. Dava os R$ 100 de Fátima e ficava os R$ 100 da empresa”, afirma um dos sócios na gravação.
Allyson Bezerra silencia
Enquanto o vídeo divulgado pelo Diário do RN repercutia no cenário político estadual, Allyson Bezerra optou por não se manifestar sobre o caso.
Nas redes sociais, o candidato publicou outros conteúdos ao longo do dia, mas não fez nenhuma postagem relacionada à divulgação da gravação ou às investigações conduzidas pela Polícia Federal.
O Diário do RN procurou a assessoria de imprensa de Allyson Bezerra, por meio do assessor Vonúvio Praxedes, e abriu espaço para que o candidato apresentasse seu posicionamento. Até o fechamento desta reportagem, a assessoria não havia encaminhado resposta.
A Operação Mederi segue em andamento e apura supostas irregularidades em contratos da área da saúde firmados durante a gestão de Allyson em Mossoró.

