LULA E A DANÇA DAS BETs
O brasileiro sempre teve vocação para o milagre financeiro via bilhete premiado, mas a República transformou a jogatina em alta jurisprudência. A epopeia começou com Michel Temer, aquele mestre das mesóclises que, nas apressadas despedidas de 2018, legalizou as apostas esportivas por cota fixa via Lei 13.756. A porteira abriu-se com a promessa de regulamentar em dois anos. O governo Jair Bolsonaro empurrou com a barriga, deixando o mato crescer em paraísos fiscais.
Veio o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva e, de repente, o apetite insaciável da equipe econômica descobriu um pote de ouro. Sob a retórica de moralizar o caos e salvar almas desavisadas, o governo cuidou primeiro do que realmente comove Brasília: a arrecadação.
Aprovou-se uma regulamentação draconiana com outorgas milionárias e impostos fazendo a arrecadação federal com o setor bater cerca de R$ 10 bilhões anuais aos cofres públicos. Contudo, na política tupiniquim, o pragmatismo fiscal é sazonal. Assim como ocorreu com o dramático vaivém da “taxação das blusinhas” — onde o Planalto ensaiou recuos ao perceber o desgosto popular nas pesquisas —, a cruzada moral contra as BETs ganhou verniz de comício. Quando a opinião pública acordou para o colapso dos orçamentos familiares, o próprio presidente vestiu o manto de paladino contra a “doença dos jogos”. A indignação, entretanto, só desabrochou com força total às vésperas da temporada eleitoral, quando bater na banca virou excelente ativo de palanque.
O tabuleiro, evidentemente, exibe dois lados.
Os prós da existência das BETs:
1)TRIBUTOS: Recursos robustos direcionados para esporte, turismo e segurança pública,
2)ENTRETENIMENTO: Patrocínios massivos que hoje mantêm de pé a quase totalidade dos clubes de futebol e as grades de TVs aberta e fechada.
3)MERCADO: Regras de compliance e combate à lavagem de dinheiro que reduzem a pura clandestinidade.
Os contras da existência das BETs:
- EPIDEMIA: Endividamento severo, proliferação de transtorno mental e dilapidação de rendas básicas.
- SANGRIA: O dinheiro que antes comprava comida ou vestuário passou a alimentar algoritmos de cassino virtual.
- FRAUDES: Escândalos de manipulação de resultados que mancham a credibilidade do esporte.
No fim, a roleta brasiliense segue girando. O Estado abocanha seus bilhões sem pudor, discursa contra a ruína do apostador no palanque e comprova a máxima imutável: vença a zebra ou dê o favorito, quem nunca perde a aposta é o governo.
ASSOCIADOS
Segundo o jornal Estado de São Paulo, integrantes do governo Lula admitem que a publicidade total do inquérito das fake News poderia causar estragos na campanha, especialmente por conta da dobradinha Alexandre de Moraes e Flávio Dino na investigação.
PLANALTO
Membros mais próximos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Partido dos Trabalhadores sabem que a associação do ministro Flávio Dino com Lula é imediata.
PLANALTO 2
Outro ponto, é que desde o julgamento de Jair Bolsonaro e com sua interferência para minimizar a crise entre o presidente do Senado Alcolumbre e Lula, promovendo jantar em sua residência, o ministro Alexandre de Moraes está por demais associado ao presidente da República. Ambos, Dino e Moraes, comprometem qualquer vinculação com Lula.
ALYSSON
Em sua edição de ontem, quarta-feira, o Diário do RN trouxe o bombástico vídeo que comprova a fonte da empresa DISMED fazendo a divisão da propina que envolve o ex-prefeito mossoroense Alysson Bezerra.
ALYSSON 2
É vero que o assunto da divisão da propina administrada pelo DISMED já viera ao conhecimento do público, mas para os seguidores de Alysson, “tudo na passava de ilações da oposição”. Agora, com o surgimento do vídeo, a matéria se torna bombástica.
ALYSSON 3
Para os mesmos seguidores de Alysson, este Diário “requentou a notícia”. Não, não houve requente da informação. Existe um fato novo que é o aparecimento do vídeo com os dois sócios da DISMED comprovando o fato.
ALYSSON 4
No vídeo, dois sócios da DISMED confessam – em vídeo captado pela Policia Federal – a divisão da propina e nomina Alysson como uma das partes a receber o quinhão. A outra parte vai para Fátima, identificada como ocupante de cargo comissionado na Prefeitura de Mossoró. É o batom na cueca.
VIDEO
Com o Diário do RN registrando a publicação do vídeo gravado pela Policia Federal em que os sócios da DISMED confessam a divisão da propina fruto de vendas efetuadas a Prefeitura de Mossoró, os marketeiros da campanha eleitoral deverão utilizá-lo nas próximas peças publicitárias.
ADVOGADOS
Resta saber o que os advogados das campanhas de Álvaro e Cadu farão com o conteúdo dessas gravações para pedir punição ao candidato ao governo Alysson Bezerra. Às autoridades eleitorais, cabem julgar procedência das informações. O processo da Policia Federal está correndo sob sigilo.

