Por Carol Ribeiro
Em meio à antecipação da movimentação interna para as eleições de 2026, o ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias (Republicanos), resolveu anunciar, por conta própria, a pré-candidatura ao Governo do RN, mesmo após o líder do Partido Liberal, Rogério Marinho (PL), já ter lançado seu nome à disputa. Integrante do mesmo grupo que o senador, que inclui o projeto da direita ocupar espaços de poder no Estado, a atitude de Dias destoou do que vinha sendo colocado pelos aliados e é vista, internamente, como um “atropelo” ao projeto e últimas conversas da aliança que reúne partidos como PL, Republicanos, União Brasil, Solidariedade e Podemos.
O anúncio de Álvaro aconteceu nesta terça-feira (25). De acordo com o ex-gestor, a decisão veio após inúmeros apelos e incentivos, os quais relaciona não somente à uma boa aprovação de seu trabalho à frente do Executivo da capital, mas também ao que chama de “desgoverno” de Fátima Bezerra (PT). As informações foram divulgadas em entrevista ao comunicador Rudimar Ramon, na Rádio Olho D’Água, em São José de Mipibu.
O lançamento veio de repente, após o próprio Álvaro ter colocado, em entrevista, que seria candidato ao Governo ou ao Senado. De repente, mudou de ideia. Até agora, pós-gestão municipal, o ex-prefeito ainda não conseguiu se descolar do Palácio Felipe Camarão e vem atuando politicamente. Agora, por conta própria.
Até o momento, Rogério não falou publicamente sobre a definição de Álvaro Dias. Em 22 de janeiro, Marinho reuniu, na praia de Buzios, lideranças políticas e aliados do grupo que integra o projeto da direita potiguar. Na ocasião, ele citou como possíveis candidatos à majoritária os nomes dele mesmo, de Styvenson e destacou o nome de Álvaro Dias como “talhado” para o cargo.
Os demais líderes do grupo, incluindo Paulinho Freire (UB), não citaram o anúncio do ex-prefeito, deixando claro o desconforto que a atitude gerou.
Os bastidores a que o Diário do RN teve acesso trazem que, agora, Álvaro coloca a pré-candidatura sem combinar com as lideranças que articulam o projeto. Não conversou nem com Marinho, nem com o prefeito de Natal, Paulinho Freire, nem com o senador Styvenson Valentim. Os três já teriam dialogado entre si após a fala do aliado. Não concordaram com o lançamento de Álvaro por conta própria e nem entenderam a intenção do ex-prefeito.
As informações são de que os personagens não chegam a descartar Dias como possibilidade de compor ou participar da majoritária, mas ponderam que além de Álvaro ser um político sem grupo, “só pensa no próprio umbigo”.
Deputados do PL minimizam lançamento de pré-candidatura
Um dos deputados federais do PL, General Girão, que conversou com a reportagem, ressaltou que “a oficialização das candidaturas se dá após as convenções partidárias” e que, até lá, diversos nomes podem ser lançados para aferir o apoio do eleitorado, mas reforça a liderança de Marinho.
“Enquanto deputado federal pelo PL, estarei sempre acompanhando o partido em todas as decisões. Não há motivo para alarde. Seguimos com nossa fidelidade ao PL e aos projetos do partido”, afirmou o parlamentar, ratificando a ideia de que o lançamento de Álvaro Dias é apenas um teste de força dentro do cenário político.
Outro deputado que compõe a bancada federal do PL, Sargento Gonçalves, comentou sobre a repercussão do anúncio de Álvaro e enfatiza que a decisão final é de Rogério Marinho. “Eu vi pela rede social essa questão do Álvaro lançando a pré-candidatura, é legítimo, é direito dele. O Senador Rogério lançou a sua pré-candidatura inicialmente no grupo, mas eu acho que é esperar mesmo, acho que está cedo ainda e naturalmente dentro das possibilidades, porque eu acredito que compor é importante, mas ao final acho que cabe ao senador Rogério a tomada de decisão”, disse.
Segundo Gonçalves, o importante agora é compor um grupo sólido que impeça a esquerda de permanecer no comando do Estado. “A intenção primeira de impedir que a extrema esquerda permaneça nesse ritmo de prejudicar o desenvolvimento do nosso Estado”, disse.
Para o deputado estadual Gustavo Carvalho (PL), os nomes possíveis de se viabilizarem à disputa de 2026 representam a chance da direita ascender ao poder no Estado. Segundo ele, o movimento de Álvaro Dias não configura um “atropelo político”.
“Estamos compondo um campo político de oposição onde alguns nomes estão colocados. Rogério Marinho, Álvaro, Alysson, são pré-candidatos que nos deixam com a certeza de que o RN em 2026 vai mudar de rumo. No momento certo discutiremos quem vai representar essa corrente na direita. Rogério já falou que está disposto e preparado, agora Álvaro também coloca seu nome e Allyson dá sinais. Juntos ganharemos a eleição e o Estado ganhará um grande governador que nos afaste desse desprezo de desenvolvimento e de caos de setores como Saúde, Educação, segurança e Infraestrutura”, afirma Carvalho.
O deputado estadual Coronel Azevedo (PL) segue raciocínio semelhante sobre o projeto comum da direita ocupar o poder no Rio Grande do Norte. “Este lançamento em separado, creio que é natural e esperado, assim como o PL fez, naturalmente Álvaro deve fazer com o grupo de lideranças e o partido, ou os partidos que estão no seu entorno, e todo esse sentimento é de convergência para retirar o PT do Governo do Estado, retirar o RN das garras do PT”, define Azevedo.